sexta-feira, setembro 23, 2005

Só um recado

Tudo começou com um simples recadinho... Estava com a melhor das intenções de me identificar no blog de uma amiga quando me danei por uns formulários e me pediram para colocar o título do meu próprio naquele espaço. Como, se não tenho blog algum? Crie. Era o que me mandavam. Criei. O nome mais lindo: donaveronica.blogspot.com. Palavra com acento e tudo. A primeira observação que eu tinha em mente quando fosse criar meu cafofo virtual, quem sabe nos próximos dois anos, nada com acento. Mas as palavras que tentei na hora do cadastro já estavam em uso. É, devo ter demorado muito para fazer essa iniciação. (Ser precoce nunca me caiu bem mesmo. Santa demência, Batman. Lag, lag, lag...)

O negócio é que, depois de várias palavras testadas, olhei ao meu redor e achei. Ali, na CPU do computador do trabalho, ilustrando o meu cotidiano – um panfleto.(Sempre gostei de guardar todos os pedaços de papel impressos que são distribuídos no centro da cidade. Tinha intenção de fazer alguma instalação com todos eles um dia, dentro de um conceito, uma proposta. Sei lá.)

No Recife, esse é facilmente encontrado nas redondezas da Conde da Boa Vista com a Rua do Hospício. Particularmente me marcou na pré-adolescência quando dava os primeiros passos nessa cidade. “Verônica”. É o destaque, letras verdes, em caixa alta, naquele pedaço de papel 4 / 4 de uma página A4, em formato paisagem.De alguma forma guardei vários deles, durante muito tempo, junto com outros – serviço militar, planos de saúde, cursos para concursos, Mãe Marlene (olha a concorrência), promoção de tudo quanto é tipo de produto e, mais recentemente, os famigerados cursos de computação. Tanto papel, tadinhas das árvores.

No meio da confusão, Dona Verônica vende o peixinho dela também. Trabalhos para resolver os casos mais desesperadores: união de casais, vícios, embaraços financeiros, saúde, limpeza espiritual. Tudo com rapidez e garantia. Os que guardei se perderam ao longo de oito mudanças de casa desde que cheguei para passar uma chuva e acabei ficando. Já andei nessa região metropolitana... Em algum momento, devo ter olhado para aquilo que um dia foi a minha obra de arte contemporânea e dito: o que esse lixo todo ainda faz aqui? Lixo.

Um dia desses me entregaram de novo. Guardei e está lá, preso com dois ímãs verdes e um pink. Tão lindo! Nunca iria à casa da minha xará, conhecer a tal pessoalmente. Deixa ela, bichinha. Jamais questionaria o direito de quem acredita de ir, pagar, fazer o que ela aconselha. Como também jamais repreenderia a iniciativa dela de oferecer os serviços num mercado de oportunidades escassas.

Aqui, enfim, virão palavras em função das amenidades, das coisas “sem importância”, engraçadas, fragmentos do cotidiano, das ruas. Tudo pela lente do sexto sentido, como numa mensagem da profissional da adivinhação. Ela, a Dona Verônica.