Vira virou

Essa foto foi postada por uma amiga da minha amiga Jizany no Facebook. Jizany também é profissional do Samu e estava de folga no plantão do 31.12. Ele era mestre de cerimônia da festa.
Lá estávamos uma pequena amostra da família curtindo os movimentos da festa da virada na praia de Boa Viagem, no Recife, quando não mais que de repente surge no palco o boy magia da foto acima.
“Boa noite! Meu nome é Julio Rocha. Vocês assistem à novela Fina Estampa? Eu sou o Enzo.”
Da minha parte, passei a gostar mais do evento: “veja só, Isabela, que coisa interessante para ilustrar uma virada de ano”.
Tudo continuava bem, Del Rey arrasando como sempre, quando um cidadão (boy nada magia) me pergunta: “posso saber seu nome?”.
Do auge da minha sobriedade hidratada com água pura, respondi “não”. Ele, sem adiantar conversa ou insistir, deu meia-volta e partiu. Ufa. Às vezes nessas situações a pessoa tem tomado alguma coisa, inventa de ser educada e acaba continuando um assunto sem a menor necessidade. Um não, bem aplicado, resolve tanto estresse posterior.
Dia desses, aconteceu um estresse desnecessário.
Eu gosto de dançar. Mas também só preciso dançar. Não precisa falar comigo, muito menos perguntar meu nome. Tem nada pior do que gente que antes de dançar dois minutos quer saber como você se chama. Informação com importância irrelevante.
Nessa história, depois de deixar dois cidadãos na pista por causa de conversa uó, fui dançar com “Ed Motta”. Não chegava a ter o mesmo peso do Ed, mas as feições eram parecidas. Sabia dançar e não pisava no meu pé. E Ed deslizava pelo salão ritmadamente durante duas, três músicas quando, de repente, pergunta:
-Você tem religião?
-Sou católica.
-Senti. A gente se identifica.
-(Oi?) De onde é esse seu sotaque?
-Sou espírita.
-E isso tem a ver com a fala?
-Às vezes a voz muda um pouco.
Continuou dançando. Menos mal.
Daqui a pouco:
-Como é seu nome?
-(10, 9, 8, 7...) Verônica.
-Você me passa muita segurança.
-(minha segurança é inversamente proporcional ao meu interesse pela pessoa).
Continuou dançando. Mas inventou de me beijar. Parei de dançar. Ele:
-Por que? Você não vai se arrepender.
-Não. Só quero dançar.
Foi quando ele segurou meu braço com força de Ed Motta e eu me assustei ao ponto de pensar em chamar o segurança. Sem deixar transparecer meu medo, saí de perto. Perguntei ao primo da minha amiga onde ela estava e fiquei junto deles. Já nos articulando para ir embora, Ed passa e diz “vamos dançar enquanto você espera”.
-Não. Já vamos embora.
Que susto. Fazia tempo que o meu medo de gente tinha se manifestado tão fortemente.
O que estava fazendo – 2011 foi um ano para todo mundo relembrar o que estava fazendo na hora do ataque às Torres Gêmeas, que completou 10 anos, e para começar a mesma marca em relação à morte de Steve Jobs. Nas duas situações eu estava praticando exercícios físicos.
Na manhã do ataque, lembro a minha chefe recém-chegada do Canadá, atônita, dizendo que já tinha ido ali, que aquilo era inacreditável. Ela, como vários brasileiros que moram um tempo nos Estados Unidos, processava todo mundo por causa de qualquer coisa. Era uma lenda entre os estagiários. Nosso meme: “vai processar?”. Aluno já não é qualidade de gente e as pessoas dando os dados... À tardinha fui para a aulinha de natação com a professora Renata, do núcleo de educação física da UFPE. De Jobs, cheguei da academia e fui informada no começo da noite.
Espero que em 2012 os acontecimentos para você ficar pensando nesses marcos sejam beeem positivos.



