quarta-feira, janeiro 18, 2012

Vira virou


Essa foto foi postada por uma amiga da minha amiga Jizany no Facebook. Jizany também é profissional do Samu e estava de folga no plantão do 31.12. Ele era mestre de cerimônia da festa.

Lá estávamos uma pequena amostra da família curtindo os movimentos da festa da virada na praia de Boa Viagem, no Recife, quando não mais que de repente surge no palco o boy magia da foto acima.

“Boa noite! Meu nome é Julio Rocha. Vocês assistem à novela Fina Estampa? Eu sou o Enzo.”

Da minha parte, passei a gostar mais do evento: “veja só, Isabela, que coisa interessante para ilustrar uma virada de ano”.

Tudo continuava bem, Del Rey arrasando como sempre, quando um cidadão (boy nada magia) me pergunta: “posso saber seu nome?”.

Do auge da minha sobriedade hidratada com água pura, respondi “não”. Ele, sem adiantar conversa ou insistir, deu meia-volta e partiu. Ufa. Às vezes nessas situações a pessoa tem tomado alguma coisa, inventa de ser educada e acaba continuando um assunto sem a menor necessidade. Um não, bem aplicado, resolve tanto estresse posterior.

Dia desses, aconteceu um estresse desnecessário.

Eu gosto de dançar. Mas também só preciso dançar. Não precisa falar comigo, muito menos perguntar meu nome. Tem nada pior do que gente que antes de dançar dois minutos quer saber como você se chama. Informação com importância irrelevante.

Nessa história, depois de deixar dois cidadãos na pista por causa de conversa uó, fui dançar com “Ed Motta”. Não chegava a ter o mesmo peso do Ed, mas as feições eram parecidas. Sabia dançar e não pisava no meu pé. E Ed deslizava pelo salão ritmadamente durante duas, três músicas quando, de repente, pergunta:
-Você tem religião?
-Sou católica.
-Senti. A gente se identifica.
-(Oi?) De onde é esse seu sotaque?
-Sou espírita.
-E isso tem a ver com a fala?
-Às vezes a voz muda um pouco.

Continuou dançando. Menos mal.

Daqui a pouco:
-Como é seu nome?
-(10, 9, 8, 7...) Verônica.
-Você me passa muita segurança.
-(minha segurança é inversamente proporcional ao meu interesse pela pessoa).
Continuou dançando. Mas inventou de me beijar. Parei de dançar. Ele:
-Por que? Você não vai se arrepender.
-Não. Só quero dançar.

Foi quando ele segurou meu braço com força de Ed Motta e eu me assustei ao ponto de pensar em chamar o segurança. Sem deixar transparecer meu medo, saí de perto. Perguntei ao primo da minha amiga onde ela estava e fiquei junto deles. Já nos articulando para ir embora, Ed passa e diz “vamos dançar enquanto você espera”.
-Não. Já vamos embora.

Que susto. Fazia tempo que o meu medo de gente tinha se manifestado tão fortemente.

O que estava fazendo – 2011 foi um ano para todo mundo relembrar o que estava fazendo na hora do ataque às Torres Gêmeas, que completou 10 anos, e para começar a mesma marca em relação à morte de Steve Jobs. Nas duas situações eu estava praticando exercícios físicos.

Na manhã do ataque, lembro a minha chefe recém-chegada do Canadá, atônita, dizendo que já tinha ido ali, que aquilo era inacreditável. Ela, como vários brasileiros que moram um tempo nos Estados Unidos, processava todo mundo por causa de qualquer coisa. Era uma lenda entre os estagiários. Nosso meme: “vai processar?”. Aluno já não é qualidade de gente e as pessoas dando os dados... À tardinha fui para a aulinha de natação com a professora Renata, do núcleo de educação física da UFPE. De Jobs, cheguei da academia e fui informada no começo da noite.

Espero que em 2012 os acontecimentos para você ficar pensando nesses marcos sejam beeem positivos.

quinta-feira, setembro 29, 2011

o que é

mas a perspectiva de um fim inevitável se encaminha, rastejando furtivamente em sua direção, sem você perceber (...) ela se estabelece aqui, no lugar que você chama de "o presente", apanhando-o como uma regra despreparada e confusa. Afinal, pouco ou nada em sua história de sucesso lhe ensinou, e introduziu em sua vida, o empreendimento de impedir o fim, mas ele é inevitável. De repente, aquilo para o que você foi treinado e chegou a considerar "vida", esse luxuriante córrego de prazeres, se atenua e está cada vez mais próximo de secar.

(...)

nós nos treinamos para a morte - quando não somos muito estúpidos, ou muito ricos. Sendo muito rico ou muito estúpido (mas se você fosse estúpido, de acordo com a definição de estupidez, você não saberia isso), você achará terrivelmente difícil imaginar um fim para os prazeres em série. Se você já tentou imaginar, é assim. Ver ocorre, nesse caso, antes de a imaginação decolar. O fim deve primeiro lhe encarar, antes de você descobrir quão inconcebível (ou de modo mais direto, insuportável) ele é.

Vida a Crédito - Zygmunt Bauman (p. 66)

quinta-feira, julho 07, 2011

Maior, melhor, igual e diferente

Mais um junho, mês do Senhor São João, se foi. Tão certo como a sucessão de dias, meses e anos, certo também é o duelo anual entre Campina Grande e Caruaru para disputar qual das duas faz a maior ou melhor festa junina. Ganha quem gosta do evento e pode aproveitar as duas programações.

Para chegar de ônibus às duas cidades, o visitante tem a empresa Progresso oferecendo viagens diárias, em vários horários, partindo do Recife. Uma beleza de comodidade: vai, curte a festa e pode voltar em seguida, sem se preocupar com hospedagem.

Mas se a pessoa optar por ver o evento em outras cidades, vai precisar alguma paciência. Aquela mesma que já anda escassa.

Arcoverde, localizada na entrada do sertão pernambucano, a cerca de 300 quilômetros de distância da capital, é um dos lugares atendidos pelo serviço da Progresso. A cidade investiu bem na programação e na divulgação da festa para este 2011. Nessa época de disputa Campina-Caruaru, os veículos mais conservados rodam constantemente nos horários normais e também extraordinários. Além disso, lugares como João Pessoa, Petrolina, Natal, Aracaju, São Luís, permanecem com sua programação normal de viagens.

Nem precisa muito esforço para deduzir as consequências de atrasos da empresa e insatisfação dos clientes. Lugares com menos visibilidade, mas com demanda alta, são fortemente atingidos. E o público foi aos extremos com os funcionários, sendo necessária a intervenção da Polícia Militar no Terminal Integrado de Passageiros. Não vi. Aconteceu um dia depois do meu embarque para Arcoverde.

Pela minha natureza, sou estressada com horários. Se a saída da viagem estava marcada para oito horas da manhã, em dia de muito movimento, cheguei com mais de uma hora de antecedência. Vai que. Trinta minutos antes parei no local do embarque e fiquei vendo o movimento.

Belos veículos partindo para seus destinos, o povo conhecido de eventos chegando para esperar também e algumas mocinhas contratadas para promover a marca da empresa entre os clientes. Será que elas estavam lá no dia seguinte na hora do quebra-quebra com a polícia, quando as viagens chegaram a duas horas de atraso?

Tudo isso para contextualizar onde eu queria chegar: prestar um serviço de qualidade bem mais ou menos, vá lá. Mas promover isso? Ativação de marca? Ação de comunicação? Como assim??

Fui falar com elas:
-Vocês estão fazendo uma ação de comunicação para a Progresso? Uma agência de publicidade contratou vocês?
-Sim. Sim.
-Esta viagem está com mais de 30 minutos de atraso, será que cabe mesmo ação de comunicação? A imagem negativa da empresa já é mais forte a essa altura.
-É verdade. Mas a gente só está trabalhando.
-Claro. Só estou comentando com vocês.

Um veículo detonado chegou e começou o embarque. As pessoas não pouparam reclamações aos dois motoristas que ali significavam o elo com a empresa. Só lamento se o senhor não tem culpa, mas é quem vai ouvir mesmo. Não de mim (dessa vez), mas era uma multidão em fúria.

Daqui a pouco, já acomodada, vejo as mocinhas entrando no coletivo distribuindo panfleto e um saquinho com paçocas, ornado com uma tag contendo telefone e site da progressoonline.com.br. A ideia era até boa; mas, de cara, perdida. Várias pessoas perguntaram se tinha telefone ali para reclamar. Taí uma ação do tipo tiro no pé.

Faz tempo que dou feedback sobre essas viagens. Relatava para um telefone os impactos sofridos em um veículo sem amortecedores adequados, banheiro impróprio, ar-condicionado quebrado, horários não cumpridos. Parei com essa vida.

Dia desses comemorei um veículo lindo, com cheiro de carro novo em uma viagem Recife-João Pessoa. No feriado da Semana Santa deste ano, parabenizei o motorista pelo belo veículo e por cumprir o horário previsto no percurso Recife-Arcoverde. A pessoa agora fica satisfeita quando recebe o serviço do jeito que deveria ser. Definitivamente, não vale à pena fazer o trocadilho da situação com o nome da empresa.

Se eu fosse um ser investigativo, me dedicaria a descobrir qual é a da Socicam. Ali tem algum caldo. Trata-se da empresa que administra *todos* os terminais de passageiros do país. Devo dizer que só tinha percebido o não-serviço dessa empresa no Recife, Caruaru e Arcoverde. Há um tempo alguém reclamou da Socicam no CQC e Marcelo Tas me deu a informação que ela é responsável pelas estruturas de embarque e desembarque no Brasil inteiro. Babado.

Progridamos todos: transporte, terminais, horários e os recursos de comunicação, enfim. Nos próximos feriados estaremos nas estradas de novo, mais uma vez.

O destino do meu São João: http://www.google.com.br/search?um=1&hl=pt-BR&biw=1350&bih=559&tbm=isch&sa=1&q=s%C3%A3o+jo%C3%A3o+de+Monteiro&btnG=Pesquisar&oq=s%C3%A3o+jo%C3%A3o+de+Monteiro&aq=f&aqi=&aql=undefined&gs_sm=s&gs_upl=1259322l1266945l0l20l15l0l8l0l0l888l2809l1.2.5-1.2l6

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Peguei o Homem da Meia-noite


Toda trabalhada na cólica e no Dorflex. (a gente brinca escondendo a dor)

Já tinha visto o boneco desfilar de madrugada chegando nos Quatro Cantos de Olinda. Bonito de ver, mas tenso. Naquele instante, por minha vontade, eu estaria no meio do povão seguindo o boneco. Pela segurança, o mais recomendável era ficar ali na sacada da casa olhando o movimento.

O Homem da Meia-noite exerce um feitiço sobre as mulheres. Tereza Costa Rêgo, homenageada do carnaval do Recife em 2011, diz que é uma das amantes dele. E quantas famosas e anônimas querem tirar uma casquinha do calunga?

Ano passado fui assistir ao ritual da saída do bloco.

Chegamos à sede pouco depois das 23 horas. Foi possível entrar, olhá-lo de perto e fazer algumas fotos. Tempo cronometrado para permitir que mais pessoas pudessem adentrar a casa estreita e comprida, no Bonsucesso de Olinda.

Meu grupo encontrou um lugar estratégico para observar a chegada dos súditos foliões e ver a casa em detalhes. Valeu cada instante.

Faltando 15 minutos para a saída, um relógio é colocado na janela do primeiro andar. É sinal de que ele será o próximo a aparecer. Arrepiante o momento em que ele surge na janela olhando a concentração que a esta altura já é de milhares de pessoas. Lindo.

Meia-noite em ponto os clarins anunciam a saída e ele vem imponente sob uma salva de palmas e fogos. Fui conquistada pela pontualidade. Um minuto faz toda diferença para uma pessoa que tem TOC.

Muitos fogos anunciaram a saída do boneco da casa. Pensando que já iria direto para as ruas, me comovi mais ainda quando ele foi de casa em casa saudando os vizinhos. Que lord. Ai ai. E, correspondendo a gentileza, cada casa tem uma faixa em homenagem a ele.

Muito tempo depois, o cortejo volta e começa o percurso oficial. Pena que a partir dali tudo pode acontecer pelas ruas lotadas do sábado de Zé Pereira. Pegamos o caminho oposto e fomos dormir o sono dos justos, satisfeitos e portadores de cólica ocasional.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Coisas do condomínio

Se o meu prédio fosse bo-ni-to, jamais eu sairia de lá. É tudo tão conveniente que as intempéries tornam-se quase insignificantes e o desejo de levantar acampamento quando surgem imprevistos acaba sendo adiado. E vou ficando. São tantas histórias.

Hoje cedo encontrei a vizinha do mesmo andar. Ela merece um roteiro de filme.

Entramos no elevador que já vinha com duas pessoas. Ela deu bom dia e olhou atentamente para um dos senhores: "Por que essa cara fechada? Bom dia."

Coitado do senhor que nem queria falar àquela altura, devolve: "Eu acabei de acordar e a senhora quer que eu esteja rindo?".

Ela: "Sim! Veja que dia lindo! Você acordou! Parabéns, você está no Brasil, teremos Copa do Mundo e Olimpíadas! E você está acordado! Sorria, sim!".

Foi o tempo do elevador chegar ao solo e cada um tomar seu rumo nesse vidão.

Fomos juntas até a esquina: "Viu que moço chato? Vai morrer com essa cara e esse humor. Bom dia para você e sucesso!"

Amém.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Centro do Recife


Imagem publicada aqui.

A distribuição de renda no centro comercial do Recife está em plena atividade neste fim de ano. Todos os passantes, com mais ou menos posses, estão participando de forma consciente (roubo) ou despercebida (furto). Os cidadãos em conflito com a lei, de várias idades e vícios, estão faturando mais do que o décimo terceiro neste dezembro.

Semana passada, radicalizei. Vi o mala abrindo a bolsa de uma mulher e me indignei. Podia ter partido para dar tapa nele, mas fui aos policiais que estavam a 10 metros da ocorrência e avisei. Eles ligaram as motos e saíram em diligência. Não sei o resultado.

O meu resultado é que cheguei em casa e bateu maior medo. Ainda tinha coisas a resolver na rua, mas não fui mais.

Tudo porque atrás do paredão de policiais, enquanto eu falava, um guri prestava atenção no assunto e disse: "ele foi para o lado de lá". Coincidentemente, era o mesmo que há um tempo pediu um real ou puxaria meu brinco para rasgar a orelha. Logo a minha imaginação completou que ele estava atuando em parceria com o meliante.

Então seria por essa razão que eu me assombro com as ocorrências? Sim e não. São tão banais, não é verdade? Mas são só exemplos das situações a que todos estão sujeitos no centro da cidade nesta loucura de compras de fim de ano.

terça-feira, outubro 26, 2010

Bauman


Foto - Achei no Google com o crédito: Grzegorz Lepiarz / photogl.com

Maravilha espetacular da natureza é este resultado de sinapses dentro de um cérebro:

"Uma vez que se acredita que extensas áreas prontas para novos começos se espalham à frente, com uma multiplicidade de pontos cujo potencial, ainda não testado, para um 'big-bang' nada perdeu de seu mistério, e portanto não foi (até agora) desacreditado, a esperança ainda pode ser salva de finais prematuros ou inícios natimortos." p. 50

Zygmunt Bauman
Vida para consumo - A transformação das pessoas em mercadorias