sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Peguei o Homem da Meia-noite


Toda trabalhada na cólica e no Dorflex. (a gente brinca escondendo a dor)

Já tinha visto o boneco desfilar de madrugada chegando nos Quatro Cantos de Olinda. Bonito de ver, mas tenso. Naquele instante, por minha vontade, eu estaria no meio do povão seguindo o boneco. Pela segurança, o mais recomendável era ficar ali na sacada da casa olhando o movimento.

O Homem da Meia-noite exerce um feitiço sobre as mulheres. Tereza Costa Rêgo, homenageada do carnaval do Recife em 2011, diz que é uma das amantes dele. E quantas famosas e anônimas querem tirar uma casquinha do calunga?

Ano passado fui assistir ao ritual da saída do bloco.

Chegamos à sede pouco depois das 23 horas. Foi possível entrar, olhá-lo de perto e fazer algumas fotos. Tempo cronometrado para permitir que mais pessoas pudessem adentrar a casa estreita e comprida, no Bonsucesso de Olinda.

Meu grupo encontrou um lugar estratégico para observar a chegada dos súditos foliões e ver a casa em detalhes. Valeu cada instante.

Faltando 15 minutos para a saída, um relógio é colocado na janela do primeiro andar. É sinal de que ele será o próximo a aparecer. Arrepiante o momento em que ele surge na janela olhando a concentração que a esta altura já é de milhares de pessoas. Lindo.

Meia-noite em ponto os clarins anunciam a saída e ele vem imponente sob uma salva de palmas e fogos. Fui conquistada pela pontualidade. Um minuto faz toda diferença para uma pessoa que tem TOC.

Muitos fogos anunciaram a saída do boneco da casa. Pensando que já iria direto para as ruas, me comovi mais ainda quando ele foi de casa em casa saudando os vizinhos. Que lord. Ai ai. E, correspondendo a gentileza, cada casa tem uma faixa em homenagem a ele.

Muito tempo depois, o cortejo volta e começa o percurso oficial. Pena que a partir dali tudo pode acontecer pelas ruas lotadas do sábado de Zé Pereira. Pegamos o caminho oposto e fomos dormir o sono dos justos, satisfeitos e portadores de cólica ocasional.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Coisas do condomínio

Se o meu prédio fosse bo-ni-to, jamais eu sairia de lá. É tudo tão conveniente que as intempéries tornam-se quase insignificantes e o desejo de levantar acampamento quando surgem imprevistos acaba sendo adiado. E vou ficando. São tantas histórias.

Hoje cedo encontrei a vizinha do mesmo andar. Ela merece um roteiro de filme.

Entramos no elevador que já vinha com duas pessoas. Ela deu bom dia e olhou atentamente para um dos senhores: "Por que essa cara fechada? Bom dia."

Coitado do senhor que nem queria falar àquela altura, devolve: "Eu acabei de acordar e a senhora quer que eu esteja rindo?".

Ela: "Sim! Veja que dia lindo! Você acordou! Parabéns, você está no Brasil, teremos Copa do Mundo e Olimpíadas! E você está acordado! Sorria, sim!".

Foi o tempo do elevador chegar ao solo e cada um tomar seu rumo nesse vidão.

Fomos juntas até a esquina: "Viu que moço chato? Vai morrer com essa cara e esse humor. Bom dia para você e sucesso!"

Amém.