domingo, outubro 16, 2005

O dia vai querer raiar

Alguma coisa estava fora da ordem e depois de um retiro bem aproveitado, tudo se esclareceu. Mas não da melhor forma possível, ao contrário, o que confirmou a tese veio de fonte primária. Aí é que está o problema: nessa hora, gela o coração e todo o sangue que por ele passa. O corpo todo esfria e perde a firmeza por dentro. (Será que esse tremor é visível?)
- Tava sumida, mulher. Você achou bom me encontrar ou é impressão minha?
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Conselho de mim para mim: continue o seu 2005.2 sabático. Se estender para 2006.1, melhor ainda!

segunda-feira, outubro 10, 2005

Um dia vou pensar assim...

"...desde os anos 1960 a família como a conhecemos até recentemente está perdendo sentido e é preciso reinventar novos modos de união e de reprodução, para além do modelo coercitivo que herdamos de nossos pais e avós. O que a meu ver não se perde de modo algum, a despeito de todas as revoluções comportamentais, é o valor do afeto. No fundo a questão que subsiste é de quem posso gostar, no amor e na amizade, e de como fazer para que esse amor tenha continuidade. O amor é um grande acontecimento, que nenhum cálculo racional, nenhum projeto empresarial baseado no casamento tradicional explica. É desse amor que tratam muitos textos relacionados à descontrução, um acontecimento ou evento inexplicável, que reforça mais ainda as estruturas vitais, em vez de destruí-las. Um amor-amizade para além de toda tábua fixa de valores, de toda moral imposta. Aliás, só existe atitude ética quando as regras não são fornecidas de antemão, quando os indivíduos são livres para decidir o que é melhor para cada um e para todos. Isso está diretamente relacionado à democracia."

Evando Nascimento, em entrevista concedida a Carla Rodrigues, falando sobre o pensamento de Jacques Derrida.
Veja aqui quem são eles e/ou leia o texto na íntegra.

sábado, outubro 08, 2005

Mirtax (ou Matrix)

Graças ao Mirtax, ou cloridrato de ciclobenzaprina, uma pessoa física pode ficar fora do ar por quatro noites consecutivas. Coisa não muito aconselhável quando existem 1851 páginas esperando pela leitura e todo tempo que se tem são justamente as noites (tudo bem, vamos considerar umas 1500, já que os livros, infelizmente, não serão lidos de capa a capa). E esse número se refere ao que está em mãos, se contar com aquilo que ainda não se encontrou...

Pequena e azul, uma vez escolhida a pílula, não tem mais volta. O fato é que a tal da substância lá é a mesma coisa de tomar uma pancada na cabeça e estar pronta para dormir sem nem saber como foi parar na cama. Já tinha ficado atônita com bebidas, um filme, um livro, mas nunca com esses trocinhos compactados em minúsculas quantidades. Logo eu que gosto dos muitos, todos eles. Tudo por causa de uma dor, essa sim, bem maiúscula, e que o médico resolveu aplacar mandando bala (ops) no sistema nervoso central, o SNC – como tem na bula.

Aí vem outro problema. Ler a bula. Lascou. Começo a sentir tudo que diz lá. Não tem jeito. No dia seguinte à primeira cacetada, acho que tive aquilo conhecido como enxaqueca: vi todas as estrelas do mundo durante a manhã, a dor de cabeça se instalou, a mão suando e o estômago dava voltas e voltas. Sem problemas, já estava esperando alguma reação, só não precisava ser no meio de uma reunião onde o máximo que ficou registrado foram pedaços de palavras.

Bula: “Reações adversas: fadiga, debilidade, visão borrosa, cefaléia, nervosismo, confusão, taquicardia, palpitação, vertigem, depressão, ansiedade, agitação. A meia-vida de eliminação é de um a três dias e a ação tem início em uma hora após a administração”.

Pois ainda devo estar com esse negócio circulando em mim. Pelo menos hoje mandei uns mililitros de coca-cola para brigar contra os nanogramas que restam ativos da ciclobenzaprina e vamos quase à meia-noite estudando (as substâncias e eu). Sim, porque para bom dorminhoco, meia coca basta. Posso tomar durante o dia e sinto os efeitos da bicha até à noite. Gosto de nada disso. Prefiro dormir quando o sono vem e acordar só porque é hora do trabalho – Morfeu e eu.

Para quem vinha na rotina de tomar guaraná em pó pelo menos duas vezes por semana, essa confusão desregulou as páginas de leitura por dia e, pior ainda, aquelas que precisam ser escritas. Devo voltar para o meu simulacro, agora.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Dito popular

"Quem não tem marido nem filho, morre de vadio".
Bons tempos... Pois então, mesmo sem as duas coisas, coloca um mestrado na vida para ver o dia que se sai de casa sem as nuvenzinhas sobre a cabeça. (Vamos terminar isso porque a fila da festa anda - e é muito melhor.)