sábado, novembro 26, 2005

Eu já sabia!!!!!!!!


Foto do JC Online (Marcos Michael)
Escrevo agora embriagada por todo álcool que não consumi neste dia inteiro. Uma embriaguez diferente, de alegria. Uma sensação diferente desde quando fiquei sabendo que estava confirmada a minha presença nas Repúblicas Independentes do Arruda para testemunhar a elevação do Santa Cruz, o Mais Querido, à série A do futebol brasileiro. Aquele bilhete eletrônico com a imagem das duas crianças me dizia muita coisa já na quinta-feira. Mas como no mundo do futebol a superstição também manda muito, não posso negar um pé atrás por ser a primeira vez que iria ver o time ao vivão! Por isso, de vez em quando surgiam pensamentos 'pé-frio', 'amiga de Murphy'... Sai, sai, coisa ruim.

Depois do ingresso, minha missão era encontrar com quem ir. Tarefa árdua, devo deixar claro. Tentei de tudo: peguei quatro telefones de pessoas que estariam no estádio, arrisquei uma carona para pelo menos chegar ao campo, nada. Saí de casa às 12h26 crente que era o cedo necessário para encontrar a Sanfona Coral.

Pelo roteiro divulgado, era mais do que suficiente. E foi. Cheguei às 13h49, liguei... A Sanfona estava lá dentro. Lá. Antes das 13h46. E agora? Eram 60 mil pessoas entre mim e a Sanfona. “Vou encontrá-los”. Pensei. Quando tomei um rumo, surrealmente apareceram Fernanda e Ronaldo na minha frente. Dois profissionais de saúde altamente conceituados na minha avaliação. Diante da dificuldade de achar o forró e na iminência de um ataque cardíaco, tamanha emoção de estar ali, era melhor garantir que iria a muitos, muitos outros jogos. Fiquei com eles.

E como foi bom!!! Que jogão!!! Posicionados quase do lado da Inferno Coral, interagimos totalmente com os amigos da organizada. Eu que já vinha de uma demonstração dos gritos de guerra durante a viagem no ônibus até ali, estava preparadíssima para engrossar o coro. E ainda tinha o bandeirão Inferno da Várzea. Estava mesmo em casa. (Apesar de achar que a Várzea não tem nadinha de inferno.) O mundão nos guardou um lugar cheio de sombra e o bloqueador solar fator 45 nem teve muito trabalho comigo.

Atesto e confirmo: o momento em que o time entra no gramado é de fato para matar uma tricolor do coração. Que coisa mais linda! Quando olhei para baixo, só vi as equipes médicas e de bombeiros socorrendo as criaturas que pendiam da arquibancada – homem, mulher, criança, adolescente. A certa altura faltou maca que eu vi. Vi também quando um desses ‘doentes’ saiu de dentro da ambulância balançando os braços e animando a torcida. O Santinha faz reviver, renascer, ressuscitar!

O jogo, enfim, o jogo todo mundo viu. Tinha que ter sofrimento, claro. Tinha que ser de virada, melhor ainda. E o time tinha que estar no lugar ocupado agora. Ão, ão, ão, meu goleiro é paredão. Caaar-liii-nhoos Bala, Bala. Ah é Rosembrick. Ai, ai, ai, que torcida do c****.

No final, sem voz, passamos na casa da tia Binha de Fernanda que mora numa paralela da avenida Beberibe. Uma localização privilegiada, diga-se. Além de morar bem, tia Binha é muito gentil e nos ofereceu macaxeira com charque para repor as energias. Melhor impossível.

Se as barbies tivessem jogado qualquer coisa contra aquela tormenta que se arrastou durante o campeonato, hoje seríamos campeões da série B. Eles chegaram em primeiro sem merecimento, com inferioridade. Ainda assim, comemoremos tricolores pernambucanos!

domingo, novembro 20, 2005

No palco


Recebi um convite de aniversário dia desses em que a autora chamava os amostrados para uma farra. Senti que estava totalmente enquadrada na definição de 'amostrada' que ela deu. Pois bem... Em toda a minha vidinha estive em apresentações. Um amostramento atrás do outro.
Ontem voltei ao palco (até parece que nasci e vivi lá. Não. As pessoas da família são todas ajuizadas e bastante compenetradas, por isso o que sobrou de dispersão veio com força e ficou em mim. Ainda bem, diga-se de passagem.) e foi bom por demais.
Pois a história dessa apresentação começa em junho de 2005. Com um banzo de dar dó, comecei a fazer aulinhas de dança para alegrar o coração. Cinco meses depois, começo a perceber os primeiros resultados. Além de mais disposição física, a serotonina dá sinais de existência e, de quebra, ainda tem um lindo show de três minutos dançando cavalo marinho para o público. (Pois é, tem platéia e tudo!!)
Como avaliação de todas as etapas até a apresentação final, registro que, ao contrário de uma profecia bastante incensada por alguns pernambucanos, o frevo não morreu e, muito menos, está agonizando. O pelotão que marcha dançando muuuito, sem contar com quem fica só balançando os dedinhos, é bem maior do que o dos portadores do esquife. Corpos fabulosos de homens e mulheres alternam figurinos e, sim, encantam a cada evolução nas coreografias de guerreiro, maracatu, caboclinho, afro...
Acompanhando das coxias, fiquei quase duas horas tomada por uma forte comoção. Não é novidade para ninguém que realizações como essas contam com pouquíssimo ou quase nenhum recurso financeiro público. Por outro lado, têm investimento de muita força (literalmente) dos que fazem a festa, se amostram e mostram que é possível, simplesmente, fazer. Um gracejo para o coração de cada pessoa, no público e no palco.

domingo, novembro 13, 2005

É Bala!


O título acima, politicamente incorreto, deu a esta vidente a oportunidade de participar da enquete da Rádio Jornal pela primeira vez. Isso já é um ótimo presságio.
Foi agorinha mesmo (no registro de chamadas do meu telefone: 8h21). Estava ouvindo rádio e tomando o meu desjejum quando colocaram a vinheta "Tri, tri, tri, tricolor. Santa!" em seguida a do outro time, que não vou escrever aqui. Daí o locutor pediu para ligar e votar dizendo se o melhor de hoje à tarde seria Carlinhos Bala ou o atacante do time de Rosa e Silva.
Peguei o telefone e liguei. Ocupado. Continuei tentando e na segunda chamada já fiquei ouvindo o som do estúdio.
Quando acabou a ligação, Paulo Roberto disse:
- Mais um torcedor.
Eu respondi:
- Alô.
Ele:
- E você, amiga?
Eu:
- É Bala!!!
Uma emoção indescritível. (Ainda bem que minhas emoções são assim, fáceis mesmo.) Que essa seja a primeira de muitas outras para este dia. Como adivinha, que não sou, sugiro um placar semelhante ao da semana passada: 2x0.
Rumo à primeirona!!!

quinta-feira, novembro 10, 2005

Ele – o desejo

Acredito em todas as bênçãos e em todas as maldições... Nas coisas que se desejam com o coração.

1. Gosto de rezadeiras. As casas delas geralmente têm muitas plantas e árvores ao redor, além de todos os tipos de imagens de santos - quadros, estátuas e desejos de bênçãos. Aquele balançado de galhos de plantas na minha frente, de fato, me protegem nessa batalha com o tempo de ser eu mesma.

2. Início de 2005, perto do carnaval. Uma reunião de pessoas do candomblé na frente da igreja do Bonfim, em Olinda. Todos de branco cantando, dançando e lavando os poucos degraus da igreja. Começaram a jogar pétalas de flores nas pessoas. Fui mais para perto. Aquilo só podia ser sinal de coisas lindas para o ano que acabava de iniciar.

3. Da mesma forma, nas celebrações da igreja católica. Umas gotas de água benta só podem fazer bem para aqueles alcançados por elas.

4. Numa noite qualquer, de uma quinta-feira qualquer. Quando dobrei uma esquina seguindo para a casa da minha tia, quase esbarro numa moça que parou, me olhou nos olhos e disse: “Jesus ama você”. O que se há de fazer ou dizer numa hora dessas? Respondi: “eu também” e segui caminho.

5. Era mais uma das muitas roubadas em que nos metemos. Marta e eu estávamos na avenida Guararapes esperando ônibus depois do show de Escurinho, no Pátio de São Pedro. Passava das 23h quando um ônibus (que não era o nosso) parou e um senhor desceu na nossa frente. Num gesto rápido colocou as duas mãos sobre as nossas cabeças e disse: “Estão abençoadas”. Claro que estávamos e, claro, por causa daquele gesto.

São todos desejos. Intenções de que as coisas sejam soltas, livres, se resolvam e aconteçam da melhor forma.

terça-feira, novembro 01, 2005

Boas músicas, boas performances

Há alguns anos fizeram uma comemoração bem grande para o meu aniversário. Grande porque, no dia seguinte ao meu, tinha também o de Islândia e juntamos os dois numa festa só.
A certa altura chegou o casal Mauro e Kátia, que me emprestou o rapaz para uma performance da música abaixo diante de uma platéia de umas er... 25 pessoas. Em todos os encontros seguintes essa 'apresentação' era relembrada por alguém.
Ê festão! E que todos os aniversários deixem sempre uma coisa boa no coração das pessoas. Inclusive da aniversariante :)

Terezinha
Chico Buarque/1977-1978
Para a peça Ópera do malandro, de Chico Buarque

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia
Trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio
Me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada
Que tocou meu coração
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse não

O segundo me chegou
Como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta
Me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada
Que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada
Também nada perguntou
Mal sei como ele se chama
Mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração.