quinta-feira, junho 29, 2006

Copa, comida e roupa lavada

As opiniões se dividem (para variar) quando se fala de futebol. E não somente relacionadas a lances polêmicos, de jogos específicos. Nada. A divisão vem antes, na essência mesmo da modalidade, da existência do esporte da bola no pé. Em época de Copa do Mundo então, os textos se multiplicam por aí detonando ou enaltecendo. Da minha parte, fico com os simpatizantes, mas leio todos porque é sempre bom ver como os opinantes se defendem, atacam, cruzam, batem laterais, escanteios e finalizam.

O interesse pelas chuteiras, no ótimo sentido, vem desde quando jogava botão com meu irmão. Foi na nossa mais tenra infância que ele me ensinou a regra do impedimento e eu aprendi, o que é bem mais complicado. Aliás, “brincadeira de menino” nunca foi proibida para mim. Futebol de botão, bola de gude, polícia e ladrão e todo tipo de apostas. Para equilibrar, bonecas de papel e ‘de verdade’, como a gente dizia, ganhavam roupinhas produzidas pela modelista – eu mesma – na brincadeira que não tinha participação dos meninos. E não teria problema se participassem.

Mas voltando ao fussball. “Futebol é massa” tem 13 letras.

:: Alguém merece Beckham vomitando em pleno jogo na hora do almoço de uma cidadã? E ele não merecia uns tons a mais naquela voz horrorosa? Bonito calado.

:: Rooney, o número 9 da Inglaterra, parece com Otto. Pensei que a qualquer momento ele ia parar de jogar para cantar “já estive num acidente e capoteeei / parei no canaviaaal” ou mandar um beijo para Alessandra Negrini.

:: A depender da minha torcida as oitavas-de-final seriam totalmente atípicas. Jogariam, além dos brasileiros, os outros latino-americanos, os asiáticos e os africanos.

:: Eu ia fazer tanta da farra com os coreanos. Torcida da melhor qualidade.

:: A doidinha da Eveline chorando com todos os hinos de todos os países. Sou uma pessoa cercada de ‘normais’ mesmo.

:: O técnico da Holanda é metrossexual para mais de 100 quilômetros.

:: O técnico argentino do México tem a maior cara de quem detona na tequila.

:: Portugal x Holanda em campo. Galvão x Arnaldo na cabine. Só deu lapada. Do pescoço para baixo era canela.

:: Ver jogo pelo SporTV até dá para sentir falta de Galvão Bueno.

:: Ver jogo perto de gente educada também é problema. Na hora do hino, quando passou o rosto do nosso goleiro, eu gritei “Dida, gota serena!!!” e o rapaz do casal na minha frente olha para a mulher como quem pede desculpas por essa pessoa descompensada. Ai, ai, faz tanto tempo que estou andando & andando para esses episódios.

:: Pedro Bial devia recorrer à sua imagem mais do que conhecida para fazer umas matérias na Alemanha, entrevistar o povo mais abusado, sei lá. Fazer alguma coisa para substituir aqueles textos ilustrados.

Fátima Bernardes & William Bonner são problema de quem assiste, já dizia um pensador alemão nos idos de 1940. Já que a gente vê mesmo assim, é testemunha.

:: FB pedindo desculpas por estar usando luvas.
:: Ela dizer que está frio e no final do programa WB recomendar uso de casaco no dia seguinte.
:: A risadinha que ela dá ao final de todas as matérias. Precisa?
:: Falando com a produção com microfone aberto.
:: Arrumando os cabelos quando volta de break, matéria, estúdio no Brasil...
:: E os sapinhos coaxando no ao vivo dela direto dos jardins do castelo em que a seleção estava hospedada, além de todos os mosquitos nas luzes da produção. Eles devem ter providenciado muito inseticida porque nas edições seguintes não apareceu mais nada.

Nos primeiros dias na Alemanha, Fátima Bernardes liga para o seu maquiador, no Brasil.
- O que você achou?
- Rachaaaa, você bebeu foi?
- Como assim? Por que? O que foi?
- Nunca mais ouse se virar sozinha. Eu já falei: não faça a maquiagem. Eu só não liguei na mesma hora para mandar você lavar o rosto porque William não deixou. Pode perguntar a ele. Digo logo.
(Nos dias seguintes FB passou a ser acompanhada por uma brasileira que se prontificou a dar uma mãozinha na maquiagem por uma módica quantia.)

sexta-feira, junho 23, 2006

São João do Carneirinho

Foto: Fabi

Carnaval é tudo. Natal e ano novo são tudo. Mas o São João é um evento que faz tocar muito mais animado, acelerado, ritmado e descontrolado o meu supercoração festivo.

Sempre foi momento de grande confraternização quando um bisavô herói manejava belos disparos de bacamarte para uma turminha encantada com o espetáculo. Todos com olhos vermelhos de fumaça da fogueira, roupinhas coloridas, cada um mais danado que o outro – meninos e meninas. E quando a vovó chamava estavam todos ao redor da mesa ostentando suas bochechas rosadas e esperando aquele desfile de pratos maravilhosos que só ela sabe oferecer. Depois da barriga cheia, era hora de dançar, dançar, dançar...

Sempre assim, ano após ano. O bisavô lindão foi morar com papai do céu com exatos 100 anos e dois meses. A vovó hoje tem muitas outras mãos para ajudá-la. E as crianças, essas quintuplicaram. O vovô adora “contar o povo” e orgulhar-se dele.

São João. Isso é lá época de se ficar longe da família?!?!!!
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Musiquinha, de Adelmário Coelho, que estou chamando de ‘junina’ para pensar em distância:

Se eu morasse aqui pertinho, nêga
todo dia eu vinha te ver
te trazia um par de cheiro, nêga
pra derramar em você

Lá se foi a lua cheia
já é meia noite e meia
até logo, até mais ver
se eu morasse aqui pertinho, nêga
todo dia eu vinha te ver

domingo, junho 18, 2006

Léo, o Dantas


Foto: Fabi

E ele foi. Partiu para os famosos “projetos pessoais”. Foram somente alguns meses de convivência, tempo suficiente para a gente ter coisas em comum como se nos conhecêssemos há anos. Sabe de uma coisa, a gente se conhecia, sim, só não tinha se encontrado ainda. Vou continuar dando uma risada, no meio do nada, quando lembrar das nossas leseiras. Tem também o capítulo das coisas que a gente discorda e um seriado especial, bem badalado, de tudo que a gente adooora. Aí é que nós abalamos mesmo. Geral.
Quem mais vai sentir saudade.
Obrigada. Nada. Tchau.

domingo, junho 11, 2006

Qualquer desatenção

Fico particularmente tocada com acontecimentos tristes vividos pelas pessoas em situações que claramente eu ou um amigo próximo poderia protagonizar. A última dessas aconteceu há uns dias e me deixa comovida nas vezes em que passo pelo local – todos os dias. Foi um incêndio em um apartamento de um edifício que fica no finalzinho da Boa Vista quase chegando ao Derby. Lá no terceiro andar ainda está guardada a tragédia como se os bombeiros tivessem acabado de atender ao chamado.

Está tudo do mesmo jeito. As janelas com vidros quebrados por conta do calor, a porta da varanda aberta, também com vidros partidos e uma rede branca com restinho de punho pendurado no armador. Essa rede é a única imagem aberta aos que passam na rua e, mesmo não tendo visto o estrago completo, para mim é a mais impressionante.

Fiquei sabendo no momento em que estava acontecendo e pensei imediatamente em Valéria. “Incêndio em apartamento na Conde da Boa Vista” era a manchete no portal. Passei a monitorar a informação. Mais tarde já vinham dados precisos trazendo alívio, já que ninguém tinha se machucado. Tratava-se da residência de duas meninas de Petrolândia que não estavam em casa porque tinham saído para estudar.

Diversas razões para me transportar ao lugar delas e por vários motivos, começando pela doidinha da Valéria que nunca comprou um fogão por ter medo de deixar alguma coisa cozinhando, esquecer e dormir ou sair de casa. Logo que se mudou para a sua casinha de bonecas, a gente foi a uma festa. A certa altura ela pergunta “será que eu desliguei o ventilador quando saí?”, quem ia saber.

Outra que queimaria a casa era Marta. Chegando do trabalho, numa sexta-feira, ela colocou inhame para cozinhar e foi atender uma ligação. Eram nossos primos convidando para ir a um show ao que prontamente foram atendidos. Lá se foi a comitiva para a festa. Na mesma madrugada ao entrar em casa Marta é convidada para ir ao Festival de Inverno de Garanhuns. Toma banho, troca a roupa, põe outra numa mochila e vai embora. Viagem de ida e volta à Suíça pernambucana e só depois que voltou do trabalho, já na segunda-feira à noite, ela lembrou da panela no fogão. Se não morássemos com muita gente, naquele dia tínhamos ficado sem teto.

Como não vou me esconder nas trapalhadas incendiárias alheias, mostro também a minha. Uma vez coloquei água para ferver e pouco depois uma amiga chamou correndo para ir à praia. Não tive dúvida, me arrumei e fui embora. Ainda no meio do caminho lembrei da água, mas aí já era tarde. Nem liguei para avisar porque sabia que a certa altura uma alma caridosa fecharia o gás.

Esses quase acidentes só reforçam a tristeza de ver aquela rede chamuscada na varanda do apartamento queimado. Ô dó.
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Aproveitando o contexto, uma musiquinha de festa junina que o Google me diz ser de Antônio Barros. Gosto com Terezinha do Acordeon e recomendo. Da melhor qualidade:

Eu sou o estopim da bomba
É você que me faz ser assim
Se não quer ver o estouro da bomba
Não encoste este fogo em mim

domingo, junho 04, 2006

Desafiando o desafio


Foto de João Furiba feita por mim mesma num evento em São José do Egito. Faz teeempo...

Não fosse pelos jornais da última sexta-feira eu nem tinha ficado sabendo que seria realizada a etapa Recife do Desafio de Cantadores naquele dia mesmo. Vi o comercial na televisão no sábado. Como assim um dia depois, sábado?

Saí lépida e fagueira somente para “dar uma passadinha por lá”, ver os conhecidos e pegar o material impresso para completar a coleção. Era, tipo, supercedo para o agito e aparentemente a estrutura seria bem interessante para o público. As pessoas começavam a se acomodar quando vi um moço com credencial e aventurei uma perguntinha básica, como fiel correspondente do Donaveronica fazendo uma cobertura mais do que tendenciosa, parcial e interessada. “O senhor sabe dizer quantos lugares estão disponíveis aqui?” Menino, esse homem se viu em apuros. Perguntou meu nome, pediu para esperar e saiu à caça de resolver minha inocente indagação. Era rádio que não respondia, gente balançando a cabeça e o mocinho a procurar. Quase que eu dizia “deixe disso, precisa mais não”. Mas o homem se perdeu. Chegou dali a uns instantes com o número decorado “são 1500 lugares”. Eu só podia dizer “tá certo, muito obrigada”. Esse número era para os sentados, porque dali a mais um pouco tinha quase o mesmo tanto de gente em pé.

Encontrei um amigo que não via há um tempão, comecei a conversar e depois de encontrar um bom lugar, fiquei estudando a situação. Adoooro! Primeiro vem Geraldo Freire, todo anônimo na multidão. Cabelo preto como o da Branca de Neve e camisa estilo havaiana. Ano passado era de cambraia bordada branca, ensacada. José Mário Austregésilo desfila de um lado para outro na calçada do Palácio com um terno branco que parecia mestre de escola de samba na apuração de votos, quarta-feira de cinzas. Felizardo passa lá do outro lado do palco e eu que já não tinha ido, fui ficando. Chegou a hora de Felizardo exercer seu papel vitalício de mestre de cerimônia. Pronto. Só faltava isso para eu não sair mais.

Durante as apresentações, coisa interessante era ver Diniz Vitorino bem concentrado na prancheta de votação encostada no peito sem deixar escapar nem uma dica aos demais membros da comissão julgadora, coordenada por Zé Mário. Olha aí o motivo do visual.

Como algumas pessoas sabem, mesmo acontecendo um ou outro improviso de fato, como João Paraibano fez, esse tipo de evento não tem mais o modelo de dizer o tema aos cantadores na hora. Eles receberam antes, sim, para se preparar e fazer algo mais elaborado. O que não tira de modo algum o mérito da criatividade. Afinal, existem outros canais para se ver o juízo deles dando cambalhotas.

Um viva para eles, outro para mim e para carona show de bola que ganhei no final.