quarta-feira, abril 26, 2006

ZYI - Zê-ípslon-i

Minha promessa na passagem de ano de 2004 para 2005 era não dizer mais palavrão. Só que o meu projeto Palavrão Zero não vingou. Deve ter sido por causa do nome.

Já de 2005 para 2006 era uma coisa mais difícil, mas não custava nada acreditar que ia dar certo. Não ligar a TV à noite ao entrar em casa. Passando por esse instante de atitude automática, eu seria uma pessoa mais estudiosa e renderia muito mais no campo acadêmico. Triste fim de mais uma promessa.

Como ficar sem saber o que acontece no mundo? Se bem que a questão nem é essa. Afinal, informação não é o meu único objetivo nos telejornais. Legal mesmo é ver as diferenças (poucas) e inúmeras semelhanças entre os jornais, todos eles, locais e nacionais. É muito divertido ver as maquiagens e figurinos das mocinhas e ótimas gravatas de repórteres, apresentadores e entrevistados.

A notícia de Eike Batista, por exemplo. Quem mais teria 20 milhões de dólares para sofrer prejuízo na construção de uma siderúrgica no chão que Evo Morales pisa? Pára tudo e a obra vai ser transferida para o Brasil. É muita contrariedade na vida de um cristão que levou ‘gaia’ da Luma com o bombeiro Albucassys. O cabra ser trocado por outro que nem nome de gente tem. Pense.

Dentre tantas, a melhor de todas é a que o povo apresenta citando uma notícia do New York Times. Mostram um monte de animações de um novo avião que está sendo projetado pela Airbus para os países asiáticos. É o avião lotação para transportar os passageiros em pé. E apois! Se na classe econômica viajam 500 pessoas sentadas, eles esperam dobrar essa quantidade pondo todo mundo em pé. A ilustração mostra a criatura presa por cintos de segurança a um apoio vertical. Isso no CDU/Várzea – via Prefeitura, hein?

Impagável é Ana Paula Padrão dizendo “He. Era só o que faltava. Com essa o SBT Brasil termina. Obrigada pela companhia e boa noite.” Simpática e com aqueles cabelos altamente ‘chapados’.
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Quando o mundo degringola...
#Lançamento do CD “Cadela suja – a mãe do cão sem plumas”.
#Gretchen se anuncia candidata a prefeita de Itamaracá.
#Adolescentes cantam, a caminho da escola: “La, la, la / Vem com a Jovem, vem roubar / Você vai se amarrar” (Jovem é a torcida organizada da coisa.)
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Será que Lula não me arranjava uma viagem para a lua?

sexta-feira, abril 21, 2006

Uma dezena



12h00
- Você vai comigo?
- ...
(Era hora de decidir se aceitava a carona ou não. Mas não somente isso estava em jogo.)

8h00
- Ei, mulher, quando sair da aula você vai para casa?
- Vou sim.
- Posso ir contigo até o shopping?
- Claro!

Estava começando a aula e eu pedi carona a Chica para chegar a Boa Viagem. Era minha última oportunidade de comprar ingresso para o Abril pro Rock. Estava tudo certo com Juliana e os amigos dela. Todos com ingressos e eu na indecisão...

12h00
Chica: Você vai comigo?
Eu: Vou.

Recife tinha passado a semana inteirinha debaixo de muita chuva e a minha preocupação era justamente que não parasse até a hora do show. Mas resolvi no último instante e comprei. Saí da Seaway que nem acreditava no que estava levando na bolsa.

A chuva não deu trégua. Não era nada torrencial, mas uma quantidade que dava para encharcar quem se aventurava fora de casa: eu. Por sorte, a casa em que todos iriam se encontrar era perto da minha e partimos esperançosos, sem guarda-chuva e espremidos num carro só. Naquela noite subiriam ao palco Mestre Ambrósio, Mundo Livre e Chico Science. Atrações que a gente via em todas as festas da universidade, em todas as calouradas, mais de uma vez por mês, e em vários outros lugares da cidade.

Não sei as outras pessoas que iam no mesmo grupo, mas o que eu gosto aí é que vejo mesmo. Afinal, a repetição faz parte da afirmação, e vice-versa.

Chegamos sem abordagem de nenhuma blitz. O festival era realizado no Circo Maluco Beleza, pavimentado somente lá longe do palco, embaixo de uma lona bonita, que também não abrigava todo mundo. Todos os conhecidos estavam lá. Conversa ia e vinha, mas nada de show.

Muito tarde, e depois de várias desculpas da organização, começa a festa. A gente dançava bem pertinho da roda de pogo, evitando as poças maiores de lama. Com tanto cuidado, até hoje não entendo por que cheguei em casa com lama quase até no cabelo. O casaco amarrado na cintura passaria depois por umas três lavagens até voltar a ser o que era.

O dia já tinha amanhecido quando começou a apresentação de Chico. Nem parecia que eu estava ali há mais de seis horas. Tinha disposição de quem acabou de chegar. Gilberto Gil cantou Macôôôô com Chico e a gente ficou sem voz, acompanhando e vendo o sol quente no céu.
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Hoje começa o APR 2006. Vão lá. Eu fico por aqui.
Achei massa a programação visual deste ano, fazendo referência à Copa do Mundo. Só "esperando junho chegar".

sexta-feira, abril 14, 2006

Ícone, índice, símbolo


Quem um dia consultou lista de nomes para bebês viu Verônica lá na categoria “bíblicos”. E eu sempre pensei dessa mesma forma: nome bíblico. Todos os anos reforço a história de “Verônica, aquela-que-enxugou-o-rosto-de-Jesus-a-caminho-da-crucificação”. Acontece na Via Sacra, na sexta estação.

Mas não é bem assim. Na história, uma mulher vem do meio do povo e limpa o rosto de Jesus com um véu. É nesse pano que fica a imagem dele. Ainda não é o santo sudário, aquele que tira o sono da galera há dois mil anos. Haja carbono 14 para saber se existiu ao mesmo tempo que Jesus ou foi feito depois dele.

Essa mulher era uma desconhecida, uma pessoa que acompanhava o cortejo. Depois da atitude dela foi que veio o nome, justamente por causa da imagem que ficou no pano. Verônica, híbrido composto pelo latim "vero", verdadeiro, e pelo grego "ikon", imagem, a "imagem verdadeira" de Jesus impressa com sangue e suor no véu da mulher. Um nome que não está em nenhum lugar da Bíblia.

domingo, abril 09, 2006

Participação que não se aprende na escola


Na última disciplina do mestrado li muita coisa sobre o passado recente do Brasil, que vem a ser a minha história também. Vejamos. Nessa foto aí eu tinha entre seis, sete anos. Posso assegurar que estava com a personalidade totalmente pronta nesse tempo. Sabia das coisas que estavam acontecendo no país e tinha minha opinião sobre elas. Sempre fui de participar e comecei cedinho.

A disciplina foi na turma de sociologia e a partir da primeira aula já fiquei impressionada com o discurso da professora. Excepcional, a mulher. As leituras foram conduzidas com foco em comunicação, mas, dentro de um argumento bem maior, discutimos também o contexto político e econômico do Brasil no começo da abertura política. Justamente o que li nesses dias me fez lembrar das coisas que eu não entendia bem, mas estava por dentro enquanto ainda era só uma criança.

Um dos textos falava sobre o “pacote de abril”, um plano de contenção que o governo lançou para segurar os investimentos sociais tentando equilibrar as finanças do país. - Qualquer semelhança com a atualidade não é mera coincidência. - Como a maioria das meninas, eu brincava de casinha. Pois em todas as minhas casinhas tinha um objeto representando o “pacote de abril”. Lembro que alguns desses objetos eram uma caixa de fósforos ou uma latinha vazia de Vick Vaporub. Sempre havia um lugar para o tal pacote na minha decoração.

Alguns anos depois, vieram as primeiras eleições de grande porte – prefeito, deputado, governador. Começava a deixar de existir o sistema de indicações, quando éramos governados por políticos biônicos. E eu lá... Completamente atuante, tinha opinião sobre a disputa, sobre os candidatos e discutia com as pessoas com muita seriedade. Ouvia o que podia nos comícios, acompanhava o movimento das pessoas no dia das eleições e distribuía muitas cédulas com o ‘meu’ voto. A apuração era feita na prefeitura e, de tempos em tempos, um boletim era divulgado num carro de som na frente do prédio. A prefeitura é colada com o colégio que eu estudava e na hora do recreio lá estava eu grudada no muro da escola ouvindo. Demorava muito a sair o resultado final porque algumas cidades vizinhas e menores também tinham Monteiro como sede eleitoral.

No dia da carreata da vitória eu me arrepiava de ver todas aquelas pessoas comemorando nas ruas. A gente venceu! – eu pensava. Leões, jacarés e gatos foram pintados em faixas de tecido representando os números correspondentes aos candidatos no jogo do bicho - 16, 12, 56. Nos desenhos, era um maltratando o outro, de acordo com o resultado. Significava uma agressão para eles, mas eu lia a situação toda como muito lúdica e instrutiva.

Detalhe importante: o grande vencedor era o PDS, partido que tinha se formado a partir da Arena, cujos integrantes eram donos de infinitas terras, fazendeiros, militares, políticos biônicos... O povo mais do mal da política brasileira de todos os tempos. Aquele era o primeiro certame depois que a Arena mudou de nome. É a prova de como a pessoa pode aprender uma coisa certa pelo caminho errado. Eu simplesmente aprendi vendo a participação do meu pai que, mesmo não sendo do lado endinheirado, era filiado ao partido e ainda hoje se mantém seguidor do PFL.

O tempo passa, as convicções mudam, até deixam de existir, mas a gente - ele e eu - discute muito sobre pessoas, candidatos, idéias, histórias, mandatos e jogo do bicho, que ele sabe tudo e eu não consigo decifrar – dezena, centena, milhar...

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Sonhei que estava numa festa e não via a decisão Santa Cruz x coisa. Perguntava ao pai de Fábio sobre o resultado e ele dizia: "A coisa empatou 1 x 1, aos 54(!) do segundo tempo." Só o pai!

domingo, abril 02, 2006

Dos acontecimentos e das impressões

Transferência do cargo do governador para o vice, procissão dos fiéis católicos e uma possível manifestação de delegados em greve. Todos esses eventos programados para acontecer no mesmo bairro, no mesmo dia e numa hora em que o trânsito já não funciona muito bem em dias normais. Sabendo disso, me preparei psicologicamente para caminhar pelas ruas, resolver coisas e não pensar em hora nenhuma para chegar em casa. (Porque com hora marcada e presa dentro de um ônibus que não sai do lugar, dá logo uma desimpaciência no espírito.)

Na rua.
Fogos explodem no céu escuro de lua nova colorindo a noite e arrancando dúvida dos transeuntes. Era tanta da gente que não tinha nem idéia do que se passava no terreiro do Palácio.
Se protesto de delegado existisse também devia estar por lá, ao lado do púlpito festivo. Não confirmei.

A dois quarteirões da festa governamental, comemoração dos católicos no meio da Praça da Independência. É muito interessante ver as prostitutas e seus clientes, personagens que se confundem com a praça, dividindo espaço com a autoridade-mor da igreja, o bispo José. Ele falava para as pessoas e dizia que quem estava ali receberia uma graça. Eu como total partidária de uma bênção, como já falei aqui, fiquei pensando que os merecedores deveriam ser aqueles senhores e senhoras, homens e mulheres que se voltavam para as imagens e acompanhavam a procissão. Chorei que só. Não por me reconhecer pouco merecedora da bênção, mas por lembrar de quando ia a todas as festividades da igreja e não tinha restrição alguma em relação a ela.

Antes de José acabar a fala, continuei a minha peregrinação individual, deixando-o cercado pelos fotógrafos dos três jornais recifenses.

Fui escrevendo essa historinha no ônibus quando uma senhora bem gordinha do meu lado inicia um diálogo:
-Você gosta de escrever, não é?
-Gosto. (Uma pessoa beeem simpática.)
-Você é escritora?
-Sou nada. (Já num tom menos indelicado e mais de lamentação.)
-É jornalista?
-Sim. (Volta a grande capacidade de interação.)

Se ela falasse de CPI, da chuva, do calor, do governador, dos delegados, do trânsito... a gente conversava até o destino final. Mas foi falar logo de mim, lascou.
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Ligo a televisão e está lá sendo entrevistado Jesus Cristo, o José Pimentel pernambucano. Ele diz que vai continuar a fazer o papel de Cristo enquanto puder carregar a cruz, jogar futebol duas vezes por semana e fazer musculação. Por que será que o povo sempre faz essa pergunta a ele? Qual é problema dele fazer? Tem uma fila de Jesus esperando? Todo cabeludo acontece com esse papel no carnaval. Não já é uma ótima realização?
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Dia da mentira também é dia de aniversário de Fabiana. Parabééénsss!!
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E a noite foi o babado forte que a gente estava se programando há dias. De tanta expectativa, Roberta passou mal e a gente adia esse encontro com ela para um outro show. Por um lado, já é a garantia de ir ao próximo.
Calypsooooooooo!!!
Não tinha visto outros, mas as pessoas comentavam que se não fosse gravação de DVD, seria diferente. Enfim...
Antes da abertura das cortinas, um produtor vem avisar que as pessoas não precisam se empurrar. Imagina, logo no gargarejo, onde mais aparecem, elas precisam ter carinhas felizes ou, no máximo, um choro de emoção.
Ele diz também que serão gravadas cinco músicas lentas e que no apagar das luzes as pessoas acendam isqueiros e celulares.

As cortinas vermelhas se afastam e mostram Joelma em traje de festa do Oscar. O público em delírio coletivo é captado por duas gruas ágeis no meio da massa.
Ela é muito competente no palco e o conjunto da apresentação mostra uma proposta de marketing da banda feita exatamente para garantir esse resultado. Tanto que foram feitas algumas dublagens onde ela simplesmente representa o “teatro” da história da música. Gravação com direito a repetição e tudo. Os refletores potentes, por sua vez, não deram oportunidade ao apagão para entrada de isqueiros e celulares.

Nem lembro quanto tempo teve o show, mas um único figurino permitiu quatro trocas no palco mesmo. Peças que iam sendo tiradas e todo mundo, cantora e dançarinos, ficava com uma roupa diferente. As meninas do corpo de dança são todas mais altas do que Joelma e praticamente da mesma estatura entre si. Visualmente fica interessante para um grupo que se apresenta para multidões.

Dançamos, cantamos, suamos e fomos para casa como os abençoados da procissão.