sexta-feira, setembro 29, 2006

Você aposta corrida, eu corro pra relaxar

Em tempos de disputas tantas e diversas...

O Rei e o Palhaço
Composição: Antônio Nóbrega e Bráulio Tavares (o Raio da Silibrina)

Sua coroa é de ouro,
O meu chapéu é de palha.
A sua cota é de malha,
O meu gibão é de couro.
Sua justiça é no foro,
Minha lei é o consenso.

O seu reinado é imenso,
Minha casa é meu país.
Você é preso ao que diz,
Eu digo tudo o que penso.

Você vem com a arma erguida,
Eu vou abaixando a guarda.
Você vem vestindo a farda,
Eu de roupa colorida.
Você disputa corrida,
Eu corro pra relaxar.

Sua marcha é militar,
A minha é de carnaval.
Seu traje é de general,
Eu visto pena e cocar.

Você liga a motosserra,
Eu planto flor no cerrado.
Você só anda calçado,
Eu piso com o pé na terra.
Você quer vencer a guerra,
Eu quero ganhar a paz.
Você busca sempre mais,
Eu só quero o que é meu.

Você se acha europeu,
Eu sou dos canaviais.

Você vem com a força bruta,
Eu vou com a ginga mansa.
Você vem erguendo a lança,
E eu erguendo a batuta.
Você me traz a cicuta,
Eu lhe dou chá de limão.
Você diz que é capitão,
Eu só sou um mensageiro.
Você é um brigadeiro,
Eu sou só um folgazão.

domingo, setembro 24, 2006

Dos nomes, das legendas & das falas

Últimos dias do guia. Para marcar o final desse período, algumas séries que merecem registro. Ou não.

Nomes hilários

.Índio Biá
.“Meu nome é Moisés, conhecido popularmente por Éi”.
.Biu Motorista
.Cumadí Sebastana (escrito desse jeito que aí está)
.Mister Brother
.Detetive Fulano (quebrou o sigilo da profissão de uma vez)
.Diamante Negro
.Tote
.Preta (que vem a ser um homem)
.Clovinho
.Maguila
.Cacique Evilásio Caroba (com cocá e pintura no rosto)
.Borborema
.Cajá
.Delta
.Gordo Salada
.Negrão Abençoado
.Irmão Batata
.Darlanges
.Fulano. O capitão boa praça.
.Beleca
.Pudim
.Paixão Dias da Paz (é um nome completo)
.Vassoura. Que vem com o discurso: “Limpa, Brasil. Vassoura neles.”

Legendas mais do que loucas. E erradas.

.Disconto
.Infrentará
.Desistil
.Diginidade
.Econômia
.Cemente
.Sangue-ssuga
.Extender
.Incerir
.Preoucupar
.“Contribui” escrito na legenda, quando na fala a pessoa diz “contribuir”
.“Não podemos ser conivente”.
.Representar o “seguimento” evangélico.
.“São proposta”.
.Programa de “Reeducação” do Trabalho Infantil (Ótima essa.)

Discursos sem noção

.“Recomendo o voto em Fulano porque ele reúne todas as condições para ser um excelente deputado estadual.”
.“É o que tem mais paciência.”
.“Jarbas e Mendonça. Isso não pode continuar.” Falado pela candidata do PSTU, filha da mulher de confiança do próprio Jarbas.

Eliana e os dedinhos (Eles se saúdam e se vão.)

.“Você pensa que a conta de luz vai baixar? Ó o dedinho.” (Fazendo gesto negativo.)
.“Só depende do seu dedinho. Aperte os números e deixe comigo.”

Pronto. Daqui a dois anos tem o dobro dessa brincadeira toda porque diversão mesmo é discurso de candidato a vereador na televisão. E o povão gostando.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Situação apertada


Faltam 15 dias para as eleições e já estou ficando preocupada por não ter desenhado o meu voto ainda. Sim, faço parte do quadrante das criaturas que acreditam nesse ato cada dia mais vazio de sentido, embora esteja desligada do quadrante que conversa com outras pessoas e tenta mostrar alternativas de governo àquelas que sempre predominam na história.

Acompanhando o desenrolar dos discursos em Pernambuco, diria todas as opções para um voto até interessante. O problema é que, em muitos anos de residência em Recife, nunca transferi o título de eleitora. Talvez por deixar como mais um período para visitinha ocasional a Monteiro. Oportunidade imperdível de aventura na BR 232.

Importante é que chegando o dia de apertar os botões da urna não tenho claros os números. Oh, céus. Tentei os sites dos sistemas de comunicação da Paraíba e fiquei num misto de raiva e condescendência. Este último um sentimento nada estimulante.

Os candidatos “nanicos” não são notícia. Justamente onde eu estava procurando alternativa aos 'ex-vários cargos' ou à dinastia que sangra o estado há décadas. Já os noticiados fartamente estão, claro, devendo até a alma ao inferno.

Telefono para a base - minha casa, lá - e a minha mãe diz que estão todos falando ali na frente dela na televisão e cita o nome de um bem conhecido que é somente acusado de mandar matar. Um crime famoso na Paraíba. E esse cara não serve. Nunca serviu.

Há uns dias tentei contato com um amigo de lá que preferiu não direcionar minha escolha dizendo não ter definido suas opções ainda. Pode ser a hora de consultá-lo de novo. Ou ter mais paciência com os textos dos sites que dizem coisas mais ou menos assim: “Fulano desistiu da candidatura contrariando, inclusive, a mãe dele”. Informo que o camarada é citado como sanguessuga.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Contrapropaganda e algumas “aventuras”

Uma inserção de anúncio no intervalo do Jornal Nacional custa, a partir de, 250 mil reais. Com esse número em mente, vamos ver a historinha que segue.

A caravana do Jornal Nacional esteve no Nordeste nos últimos dias, com direito a William Bonner ao vivo e tudo. Mas antes dele chegar, Bial deu uma passadinha em Salgueiro onde foi aconselhado a não viajar à noite por ali para não ser depenado. Matéria de quase dois minutos que expôs a segurança das “estradas de Pernambuco” e, se tudo estivesse lindo e maravilhoso, o governo teria economizado no informe publicitário do horário nobre. Teria. Mas lá estava o repórter falando da péssima estrutura e dos assaltos na BR 408 para uma parte bem significativa da população brasileira. Detalhe é que trocando esse número para 232, dá rigorosamente na mesma. Exceto o trecho duplicado, que pelo menos só conta com os assaltos(!).

Faz um bom período que circulo na BR 232. Desde tempos em que a duplicação ainda não tinha nem ido para o papel. O percurso é sempre basicamente de Recife até a cidade de Cruzeiro do Nordeste, quando a estrada se vai para as profundezas do estado e eu sigo para Sertânia e, de lá, mais 25 quilômetros para Monteiro. Justamente ali onde Pernambuco e Paraíba misturam as tintas das fronteiras e se confundem.

Nos primeiros anos de estrada fiz viagens tranqüilas de sono profundo e demorado, já que são quase cinco horas de percurso. Como tudo que é bom dura pouco, chegou a tribulação a não mais ter fim nesse passeio.

Na “melhor” opção, a distância é vencida à noite quando os passageiros deságuam no destino, indo ou voltando, ao amanhecer. Lembrei de alguns dos meus percalços na 232 quando vi o Priscilão da Globo acuado em Salgueiro, à noite, sem poder seguir viagem. Naquela área o bicho pega. Não menos do que por aqui.

A velha modalidade de colocar obstáculos na pista obrigando o veículo a parar foi mais que explorada em incontáveis assaltos à linha que utilizo. Em umas delas eu estava lá e tremi nas bases. O motorista não teve dúvida e atropelou um animal de grande porte que entrou ou foi conduzido ao meio da estrada pouco antes de Arcoverde. Ainda não fazia dia claro e o coitado, acedendo um cigarro no outro, chegou a cidade e disse não arredar dali antes das sete horas. Roxo de medo guiando um ônibus com a frente toda ensangüentada.

De outra vez, que infelizmente presenciei, era fim de ano e voltávamos de Monteiro para Recife. Acabando de passar por Sertânia, outro condutor avisa aos passageiros: “Tem pedras na pista lá na frente. É assalto e eu vou passar.”. Dito isso, alguém ligou para a polícia. O motorista esperou um pouco e quando a rodoviária chegou partimos para a cilada. Ele aproveitou o caminho retilíneo e acelerou tudo que o veículo pôde. Daqui a pouco, os estampidos secos de tiros na caatinga. Um dos barulhos mais feios que já ouvi na vida. No interior no ônibus as histéricas gritavam, ouviam-se orações contidas, mães tentavam proteger as crianças, Marta ria sem parar de tão nervosa e eu só queria que aquilo acabasse. Calada. Alguém dizia “os tiros são da polícia”. E eu pensando que matariam do mesmo jeito porque, obviamente, seriam revidados.

Por causa desses acontecimentos o meu medo era sempre localizado em algumas regiões do trajeto. Mas o tempo vai passando, as ações vão ficando sofisticadas e as notícias dos malas tocando o terror ao longo da estrada se espalham. Levando, por exemplo, toda a bagagem das pessoas em uma parada forçada justamente em Caruaru, onde eu passava sem receio algum.

Com muito menos disposição para essas aventuras, quedo-me em distinta e aprazível residência, aguardando os visitantes ilustríssimos que bravamente vencem a distância para me ver. Faço mil recomendações para circular durante o clarão do dia, assim como os salgueirenses preservando o Priscilão.