Contrapropaganda e algumas “aventuras”
Uma inserção de anúncio no intervalo do Jornal Nacional custa, a partir de, 250 mil reais. Com esse número em mente, vamos ver a historinha que segue.
A caravana do Jornal Nacional esteve no Nordeste nos últimos dias, com direito a William Bonner ao vivo e tudo. Mas antes dele chegar, Bial deu uma passadinha em Salgueiro onde foi aconselhado a não viajar à noite por ali para não ser depenado. Matéria de quase dois minutos que expôs a segurança das “estradas de Pernambuco” e, se tudo estivesse lindo e maravilhoso, o governo teria economizado no informe publicitário do horário nobre. Teria. Mas lá estava o repórter falando da péssima estrutura e dos assaltos na BR 408 para uma parte bem significativa da população brasileira. Detalhe é que trocando esse número para 232, dá rigorosamente na mesma. Exceto o trecho duplicado, que pelo menos só conta com os assaltos(!).
Faz um bom período que circulo na BR 232. Desde tempos em que a duplicação ainda não tinha nem ido para o papel. O percurso é sempre basicamente de Recife até a cidade de Cruzeiro do Nordeste, quando a estrada se vai para as profundezas do estado e eu sigo para Sertânia e, de lá, mais 25 quilômetros para Monteiro. Justamente ali onde Pernambuco e Paraíba misturam as tintas das fronteiras e se confundem.
Nos primeiros anos de estrada fiz viagens tranqüilas de sono profundo e demorado, já que são quase cinco horas de percurso. Como tudo que é bom dura pouco, chegou a tribulação a não mais ter fim nesse passeio.
Na “melhor” opção, a distância é vencida à noite quando os passageiros deságuam no destino, indo ou voltando, ao amanhecer. Lembrei de alguns dos meus percalços na 232 quando vi o Priscilão da Globo acuado em Salgueiro, à noite, sem poder seguir viagem. Naquela área o bicho pega. Não menos do que por aqui.
A velha modalidade de colocar obstáculos na pista obrigando o veículo a parar foi mais que explorada em incontáveis assaltos à linha que utilizo. Em umas delas eu estava lá e tremi nas bases. O motorista não teve dúvida e atropelou um animal de grande porte que entrou ou foi conduzido ao meio da estrada pouco antes de Arcoverde. Ainda não fazia dia claro e o coitado, acedendo um cigarro no outro, chegou a cidade e disse não arredar dali antes das sete horas. Roxo de medo guiando um ônibus com a frente toda ensangüentada.
De outra vez, que infelizmente presenciei, era fim de ano e voltávamos de Monteiro para Recife. Acabando de passar por Sertânia, outro condutor avisa aos passageiros: “Tem pedras na pista lá na frente. É assalto e eu vou passar.”. Dito isso, alguém ligou para a polícia. O motorista esperou um pouco e quando a rodoviária chegou partimos para a cilada. Ele aproveitou o caminho retilíneo e acelerou tudo que o veículo pôde. Daqui a pouco, os estampidos secos de tiros na caatinga. Um dos barulhos mais feios que já ouvi na vida. No interior no ônibus as histéricas gritavam, ouviam-se orações contidas, mães tentavam proteger as crianças, Marta ria sem parar de tão nervosa e eu só queria que aquilo acabasse. Calada. Alguém dizia “os tiros são da polícia”. E eu pensando que matariam do mesmo jeito porque, obviamente, seriam revidados.
Por causa desses acontecimentos o meu medo era sempre localizado em algumas regiões do trajeto. Mas o tempo vai passando, as ações vão ficando sofisticadas e as notícias dos malas tocando o terror ao longo da estrada se espalham. Levando, por exemplo, toda a bagagem das pessoas em uma parada forçada justamente em Caruaru, onde eu passava sem receio algum.
Com muito menos disposição para essas aventuras, quedo-me em distinta e aprazível residência, aguardando os visitantes ilustríssimos que bravamente vencem a distância para me ver. Faço mil recomendações para circular durante o clarão do dia, assim como os salgueirenses preservando o Priscilão.
A caravana do Jornal Nacional esteve no Nordeste nos últimos dias, com direito a William Bonner ao vivo e tudo. Mas antes dele chegar, Bial deu uma passadinha em Salgueiro onde foi aconselhado a não viajar à noite por ali para não ser depenado. Matéria de quase dois minutos que expôs a segurança das “estradas de Pernambuco” e, se tudo estivesse lindo e maravilhoso, o governo teria economizado no informe publicitário do horário nobre. Teria. Mas lá estava o repórter falando da péssima estrutura e dos assaltos na BR 408 para uma parte bem significativa da população brasileira. Detalhe é que trocando esse número para 232, dá rigorosamente na mesma. Exceto o trecho duplicado, que pelo menos só conta com os assaltos(!).
Faz um bom período que circulo na BR 232. Desde tempos em que a duplicação ainda não tinha nem ido para o papel. O percurso é sempre basicamente de Recife até a cidade de Cruzeiro do Nordeste, quando a estrada se vai para as profundezas do estado e eu sigo para Sertânia e, de lá, mais 25 quilômetros para Monteiro. Justamente ali onde Pernambuco e Paraíba misturam as tintas das fronteiras e se confundem.
Nos primeiros anos de estrada fiz viagens tranqüilas de sono profundo e demorado, já que são quase cinco horas de percurso. Como tudo que é bom dura pouco, chegou a tribulação a não mais ter fim nesse passeio.
Na “melhor” opção, a distância é vencida à noite quando os passageiros deságuam no destino, indo ou voltando, ao amanhecer. Lembrei de alguns dos meus percalços na 232 quando vi o Priscilão da Globo acuado em Salgueiro, à noite, sem poder seguir viagem. Naquela área o bicho pega. Não menos do que por aqui.
A velha modalidade de colocar obstáculos na pista obrigando o veículo a parar foi mais que explorada em incontáveis assaltos à linha que utilizo. Em umas delas eu estava lá e tremi nas bases. O motorista não teve dúvida e atropelou um animal de grande porte que entrou ou foi conduzido ao meio da estrada pouco antes de Arcoverde. Ainda não fazia dia claro e o coitado, acedendo um cigarro no outro, chegou a cidade e disse não arredar dali antes das sete horas. Roxo de medo guiando um ônibus com a frente toda ensangüentada.
De outra vez, que infelizmente presenciei, era fim de ano e voltávamos de Monteiro para Recife. Acabando de passar por Sertânia, outro condutor avisa aos passageiros: “Tem pedras na pista lá na frente. É assalto e eu vou passar.”. Dito isso, alguém ligou para a polícia. O motorista esperou um pouco e quando a rodoviária chegou partimos para a cilada. Ele aproveitou o caminho retilíneo e acelerou tudo que o veículo pôde. Daqui a pouco, os estampidos secos de tiros na caatinga. Um dos barulhos mais feios que já ouvi na vida. No interior no ônibus as histéricas gritavam, ouviam-se orações contidas, mães tentavam proteger as crianças, Marta ria sem parar de tão nervosa e eu só queria que aquilo acabasse. Calada. Alguém dizia “os tiros são da polícia”. E eu pensando que matariam do mesmo jeito porque, obviamente, seriam revidados.
Por causa desses acontecimentos o meu medo era sempre localizado em algumas regiões do trajeto. Mas o tempo vai passando, as ações vão ficando sofisticadas e as notícias dos malas tocando o terror ao longo da estrada se espalham. Levando, por exemplo, toda a bagagem das pessoas em uma parada forçada justamente em Caruaru, onde eu passava sem receio algum.
Com muito menos disposição para essas aventuras, quedo-me em distinta e aprazível residência, aguardando os visitantes ilustríssimos que bravamente vencem a distância para me ver. Faço mil recomendações para circular durante o clarão do dia, assim como os salgueirenses preservando o Priscilão.


1 Comments:
nem voar nem dirigir. a melhor maneira de viajar hoje em dia é ficar em casa e ler um livro!
P.S.: Marta rindo no meio dos tiros é a coisa mais bizarra que podia ter acontecido.
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