sexta-feira, julho 07, 2006

Medianas

Não precisa variar muito procurando resultados dos institutos de pesquisa para entender a idéia principal sobre o público de novela. Focando na Rede Globo, principalmente, por ser a grande produtora mundial do gênero, sabe-se que a categoria ‘telespectador de novela’ é bem mista e o negócio se mistura mais ainda considerando o folhetim das 19 horas, a famosa novela das sete. Faixa etária, renda, idade, preferências, consumo. Não se iluda quem pensar que está fora dos mais esmiuçadores mapeamentos de mercado. E o perfil do horário resvala ainda para os telejornais exibidos ali pelo mesmo horário e dá tudo numa grande salada. Quem acompanhou a discussão entre Laurindo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor da ECA/USP – e William Bonner, viu que a proposta do Jornal Nacional, por exemplo, é ser um programa para um senhor médio, comparado ao Homer Simpson.

Mas esse assunto todo até agora não é para chegar aos detalhes dos telejornais. Na verdade foram algumas falas, de seqüências bem curtas, que mereceram um olhar, ou um ouvir, mais detalhados.

Eis que surge Luís Melo, em Cobras & Lagartos, vestido de mulher e maquiado, interpretando um travesti que teve filhos, no melhor estilo Almodóvar em Tudo sobre minha mãe. Na primeira aparição, num diálogo a respeito da sua opção sexual, plano fechado somente no rosto, ele praticamente fala para quem está em casa que não sabe como as pessoas vêem, tiram conclusões e definem algo que nem ele entende bem em si mesmo.

Ainda na mesma novela, a galega fatal Leona (Carolina Dieckmann) se dirige a um esperançoso ficante dela com o maior desprezo para dizer o quanto o acha médio. Irritada com a cara média, o jeito médio, a vida média que o fulano lá tem. Assim, repetindo a palavra mesmo.

Adiantando um pouco o relógio para a trama das nove. Sim, porque ‘das oito’ é só o nome. Rebeca (Carolina Ferraz), dona da agência de modelos, conversa com uma das suas seguidoras aconselhando-a a se descolar do mundo classe média ao qual pertence. De parar de prestar atenção na vida das pessoas e deixar de ser suburbana. Vez por outra ela repete que a menina é provinciana.

Pois bem. A indústria TV Globo, que produz essas mesmas pessoas médias e cultiva o espírito suburbano em altos laboratórios da sua audiência, olha bem nos olhos desses seres para fazê-los pensar sobre o que vêem na própria forma de encarar o mundo, os acontecimentos, as pessoas, as palavras e as coisas.

É claro que não se faz um novo tempo na produção televisiva, mas escritores que criam semelhantes situações em evidência com mais assiduidade já provocam oportunidades de apontar sugestões de estilos de vida para um público médio. Quem sabe até uma busca nos livros por respostas e discussões melhores. Eita, exagerei. Aí já estou querendo um pouco demais.

4 Comments:

Anonymous Anônimo said...

ai ai, ela voltou a ser existencial...

07 julho, 2006 09:59  
Anonymous Anônimo said...

Lê o meu comment no post anterior!

Aquele da copa!

Beijo

07 julho, 2006 14:22  
Anonymous Anônimo said...

que negocio inteligente da gota :-)
até pra comentar novale tu é chique. Fala sério ...

10 julho, 2006 08:56  
Anonymous Anônimo said...

Vera

Teu blog tá cada dia mais cheio de interessânsias(se é que vc me entende....hehehehe)

10 julho, 2006 16:13  

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