Qualquer desatenção
Fico particularmente tocada com acontecimentos tristes vividos pelas pessoas em situações que claramente eu ou um amigo próximo poderia protagonizar. A última dessas aconteceu há uns dias e me deixa comovida nas vezes em que passo pelo local – todos os dias. Foi um incêndio em um apartamento de um edifício que fica no finalzinho da Boa Vista quase chegando ao Derby. Lá no terceiro andar ainda está guardada a tragédia como se os bombeiros tivessem acabado de atender ao chamado.
Está tudo do mesmo jeito. As janelas com vidros quebrados por conta do calor, a porta da varanda aberta, também com vidros partidos e uma rede branca com restinho de punho pendurado no armador. Essa rede é a única imagem aberta aos que passam na rua e, mesmo não tendo visto o estrago completo, para mim é a mais impressionante.
Fiquei sabendo no momento em que estava acontecendo e pensei imediatamente em Valéria. “Incêndio em apartamento na Conde da Boa Vista” era a manchete no portal. Passei a monitorar a informação. Mais tarde já vinham dados precisos trazendo alívio, já que ninguém tinha se machucado. Tratava-se da residência de duas meninas de Petrolândia que não estavam em casa porque tinham saído para estudar.
Diversas razões para me transportar ao lugar delas e por vários motivos, começando pela doidinha da Valéria que nunca comprou um fogão por ter medo de deixar alguma coisa cozinhando, esquecer e dormir ou sair de casa. Logo que se mudou para a sua casinha de bonecas, a gente foi a uma festa. A certa altura ela pergunta “será que eu desliguei o ventilador quando saí?”, quem ia saber.
Outra que queimaria a casa era Marta. Chegando do trabalho, numa sexta-feira, ela colocou inhame para cozinhar e foi atender uma ligação. Eram nossos primos convidando para ir a um show ao que prontamente foram atendidos. Lá se foi a comitiva para a festa. Na mesma madrugada ao entrar em casa Marta é convidada para ir ao Festival de Inverno de Garanhuns. Toma banho, troca a roupa, põe outra numa mochila e vai embora. Viagem de ida e volta à Suíça pernambucana e só depois que voltou do trabalho, já na segunda-feira à noite, ela lembrou da panela no fogão. Se não morássemos com muita gente, naquele dia tínhamos ficado sem teto.
Como não vou me esconder nas trapalhadas incendiárias alheias, mostro também a minha. Uma vez coloquei água para ferver e pouco depois uma amiga chamou correndo para ir à praia. Não tive dúvida, me arrumei e fui embora. Ainda no meio do caminho lembrei da água, mas aí já era tarde. Nem liguei para avisar porque sabia que a certa altura uma alma caridosa fecharia o gás.
Esses quase acidentes só reforçam a tristeza de ver aquela rede chamuscada na varanda do apartamento queimado. Ô dó.
::
Aproveitando o contexto, uma musiquinha de festa junina que o Google me diz ser de Antônio Barros. Gosto com Terezinha do Acordeon e recomendo. Da melhor qualidade:
Eu sou o estopim da bomba
É você que me faz ser assim
Se não quer ver o estouro da bomba
Não encoste este fogo em mim
Está tudo do mesmo jeito. As janelas com vidros quebrados por conta do calor, a porta da varanda aberta, também com vidros partidos e uma rede branca com restinho de punho pendurado no armador. Essa rede é a única imagem aberta aos que passam na rua e, mesmo não tendo visto o estrago completo, para mim é a mais impressionante.
Fiquei sabendo no momento em que estava acontecendo e pensei imediatamente em Valéria. “Incêndio em apartamento na Conde da Boa Vista” era a manchete no portal. Passei a monitorar a informação. Mais tarde já vinham dados precisos trazendo alívio, já que ninguém tinha se machucado. Tratava-se da residência de duas meninas de Petrolândia que não estavam em casa porque tinham saído para estudar.
Diversas razões para me transportar ao lugar delas e por vários motivos, começando pela doidinha da Valéria que nunca comprou um fogão por ter medo de deixar alguma coisa cozinhando, esquecer e dormir ou sair de casa. Logo que se mudou para a sua casinha de bonecas, a gente foi a uma festa. A certa altura ela pergunta “será que eu desliguei o ventilador quando saí?”, quem ia saber.
Outra que queimaria a casa era Marta. Chegando do trabalho, numa sexta-feira, ela colocou inhame para cozinhar e foi atender uma ligação. Eram nossos primos convidando para ir a um show ao que prontamente foram atendidos. Lá se foi a comitiva para a festa. Na mesma madrugada ao entrar em casa Marta é convidada para ir ao Festival de Inverno de Garanhuns. Toma banho, troca a roupa, põe outra numa mochila e vai embora. Viagem de ida e volta à Suíça pernambucana e só depois que voltou do trabalho, já na segunda-feira à noite, ela lembrou da panela no fogão. Se não morássemos com muita gente, naquele dia tínhamos ficado sem teto.
Como não vou me esconder nas trapalhadas incendiárias alheias, mostro também a minha. Uma vez coloquei água para ferver e pouco depois uma amiga chamou correndo para ir à praia. Não tive dúvida, me arrumei e fui embora. Ainda no meio do caminho lembrei da água, mas aí já era tarde. Nem liguei para avisar porque sabia que a certa altura uma alma caridosa fecharia o gás.
Esses quase acidentes só reforçam a tristeza de ver aquela rede chamuscada na varanda do apartamento queimado. Ô dó.
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Aproveitando o contexto, uma musiquinha de festa junina que o Google me diz ser de Antônio Barros. Gosto com Terezinha do Acordeon e recomendo. Da melhor qualidade:
Eu sou o estopim da bomba
É você que me faz ser assim
Se não quer ver o estouro da bomba
Não encoste este fogo em mim


2 Comments:
e a neurose vai se instalando um pouquinho mais a cada dia... acredita que semana passada eu saí de casa e esqueci MESMO de fechar a porta? a casa intacta prova que minha rua de fato é bem tranquila, porque senão...
Dificil isso acontecer comigo, amigas..
Eu volto umas quinhentas vezes para checar se desliguei o gás, tirei a tomada do ventilador, fechei a porta mesmo... :-(
Doida, nada.
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