segunda-feira, maio 22, 2006

Com quem está falando

O texto que deveria ter entrado aqui ontem foi adiado por motivos de força maior. Leia-se uma visita quádrupla a minha pacata residência e todas as implicações que daí decorrem, boas e ruins. Fazia tempo que não saía dois dias seguidos para a farra, fazia tempo que não precisava dizer a ninguém alguma regra da casa, ou que o telefone, constantemente mudo, não parava de tocar. Céus, como é fazer comida para muitos? Como é pedir para não levar alimentos para certos cômodos? Valha-me toda a delicadeza da qual não disponho, afinal são tão poucos dias com pessoas tão queridas. Respira fundo, Verônica.

Para conforto do meu coração, hoje vejo que o Da Matta lançou um livro. Mais um para a lista dos que estão me aguardando para leitura em um futuro próximo. Do autor só tenho a dizer ‘ele é lindo’ como sempre atribuo aos que me chamam atenção de alguma forma. O que mais me agrada nele é a temática escolhida para se debruçar enquanto sociólogo: festa, carnaval, futebol, Brasil. É um homem inteligente o que extrai dessa linha empírica abstração e generalização filosófica.

“Tem um lado de inesperado, de imanência (ou autocontenção) que nós, brasileiros, equacionamos ao feminino em relação ao masculino que tem de saber “tocar”, “controlar” e, sobretudo não temer a bola que é complexa, redonda, instável, pois corre mais que os homens, mas é o objeto mais desejado desse jogo no caso do Brasil.”

“A trave separa o vencedor do perdedor, incapaz de penetrá-la e assim chegar à rede, ao véu da noiva. Que é macio, suave e se estufa quando penetrado pela bola chutada ou ejaculada com potência pelas pernas dos nossos jogadores. Desse ponto de vista, o futebol brasileiro é um maravilhoso show freudiano.”

“O que significa “discutir futebol” no Brasil senão abordar esses paradoxos da estrutura contra o evento, dos bons contra os maus, da sorte conta o azar, dos chupa-sangue contra os formigas, dos ladrões contra os que realmente jogam, da sorte contra o azar? A re-interpretação do futebol é a história social desta nativização de um item estrangeiro que se transforma em nacional em todos os níveis e dimensões.”

São só aperitivos de uma entrevista que pode ser lida aqui e, por sua vez, é só um gostinho do livro. Lindo Roberto Da Matta.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

ahahaha, volta e meia as regras da casa precisam ser ressucitadas, né? :)

23 maio, 2006 09:35  

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