quarta-feira, março 22, 2006

sem começo, sem fim

seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada

a graça do amor é justamente esse emperrado. Quer, não quer, pode, não pode, quer mas não pode, pode mas não quer, um passa a querer no que o outro desquer e esse só vai querer novamente com a desquerência do outro

se tem coisa que morte não se agrada é de cantoria, alegria e verso, de riso, de boniteza, de conversa de menino

no futuro medo tinha virado lenda, falta tinha virado sobra, Nordestina tinha virado livro, palavra tinha virado fato e alegria tinha virado moda

como cada palavra é sempre a última palavra, antes da próxima, e as próximas palavras é o tempo que vai dizer daqui pra frente, eu vou ficando por aqui mesmo

mais não posso contar, em parte porque só sei contar até aqui, em parte porque tenho que ir ali sossegar o coração

**Falcão, Adriana. A Máquina. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.**

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

"seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada" - porque será que essa frase soou tão verdadeira que podia ser a tua descrição do orkut? :D

22 março, 2006 16:11  
Blogger verônica said...

achei isso totalmente EU :-D

22 março, 2006 17:56  

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