Tinha ido
Sim, o carnaval tinha ido, inclusive aqui.
Mas considerando vinte pedidos e um comentário desesperado, lá vão umas coisinhas de carnaval: um confete, uma serpentina, uma música, um adereço e uma cerveja.
A preparação começa muito antes dos quatro dias da festa propriamente dita. Este ano então, mais ainda. Fui às quebradas, vuco-vuco, centrão, redondezas & quadradezas, pelo menos umas três vezes. Todo dia tinha uma razão seriíssima para ir lá que não podia ficar para outra hora de jeito nenhum. Era um breguesso de cabelo daqui, uma meia ali, mais glitter, que o de casa está acabando, e tudo quanto é de adereços que saltavam aos olhos e combinavam certinho com as roupas escaladas para cada dia.
Lição aprendida: aquelas tiras fininhas, compridas, de penugem macia, que dão um efeito superlegal se chamam arminhos. “Qual é o preço disso?” “Quanto mede isso?” “Quero um disso rosa, um verde, um amarelo...” Escolhi lá as cores, a mocinha tirou a nota, paguei e fui buscar do outro lado. Claro que na hora de pegar a embalagem eu não tinha a menor idéia do nome daquilo que eu pedi como ‘isso’. Aí o rapaz, por trás de um monte de bugigangas, me pergunta: qual é a sua compra? Bateu a maior aflição. Éééé... aquilo de pelúcia (e a loja prestes a explodir de tanta gente), éééé... aquilo fofinho (por que todo mundo só vai para o mesmo lugar?), éééé... não tem nem um por perto para servir de mostruário. Nessa hora a menina vem entregar o material. Ei, moço, é isso aqui! E o rapaz: é arminho (entregando as coisas das pessoas sem nem perceber que tinha resolvido um problema secular, literalmente).
Ok. Também vamos precisar de fita e a dessa loja até serve, mas não pode comprar assim no primeiro lugar que chega. Tem que esgotar as possibilidades. Segue a peregrinação num calor e num barulho para poucos, pouquíssimos destemidos. Esforço devidamente recompensado com uma fita linda, cheia de brilho, que dava para ver de longe. Depois de trocar várias idéias com a vendedora, levei o maior achado, da fantasia mais legal, por um preço maravilhoso. Bingo!
Fazendo essas arrumações só lembro de quando eu era criança e tinha o sonho de sair de odalisca no carnaval. Quem danado sabe o motivo? Só pensava: “quero uma fantasia de odalisca”. Nunca usei a tal e hoje está cada vez mais difícil fazer alguma coisa que se refira diretamente a um personagem clássico desses. Minha festa é feita com objetos sobrepostos que ficam com uma certa harmonia, mas nunca um conjunto identificável. Se a pessoa me perguntar do que se trata, sempre tenho o tema geral de cada roupa. É uma coisa orgânica, visceral. (Uiaaa)
E eis que a repórter fala comigo, para a rádio, descrevendo a minha indumentária e ainda me entrevistando depois de muita cerveja e um percurso inteiro de dança no bloco. É o preço que se paga por 10 minutos de ar condicionado. Altíssima cotação do espaço. Rogério foge num átimo de segundo, Léo, ao contrário, vai ao encontro do microfone e eu, pensando que a fala de um era suficiente, fiquei e não tive escapatória. Nem precisa dizer de perguntas, respostas sem noção, risadas e explicações loucas. Ainda bem que as coisas passam e passamos muito bem.
Olinda teve aperto, mas brincadeira suficiente para encobrir tudo de ruim.
Recife teve festa que a gente aproveitou até os últimos acordes. E, sim, eu vi arrastões.
Dancei, cantei, segui atrás de todas as latas que bateram nas ladeiras, becos e ruelas. Assim foi e que assim sempre seja, amém!
Mas considerando vinte pedidos e um comentário desesperado, lá vão umas coisinhas de carnaval: um confete, uma serpentina, uma música, um adereço e uma cerveja.
A preparação começa muito antes dos quatro dias da festa propriamente dita. Este ano então, mais ainda. Fui às quebradas, vuco-vuco, centrão, redondezas & quadradezas, pelo menos umas três vezes. Todo dia tinha uma razão seriíssima para ir lá que não podia ficar para outra hora de jeito nenhum. Era um breguesso de cabelo daqui, uma meia ali, mais glitter, que o de casa está acabando, e tudo quanto é de adereços que saltavam aos olhos e combinavam certinho com as roupas escaladas para cada dia.
Lição aprendida: aquelas tiras fininhas, compridas, de penugem macia, que dão um efeito superlegal se chamam arminhos. “Qual é o preço disso?” “Quanto mede isso?” “Quero um disso rosa, um verde, um amarelo...” Escolhi lá as cores, a mocinha tirou a nota, paguei e fui buscar do outro lado. Claro que na hora de pegar a embalagem eu não tinha a menor idéia do nome daquilo que eu pedi como ‘isso’. Aí o rapaz, por trás de um monte de bugigangas, me pergunta: qual é a sua compra? Bateu a maior aflição. Éééé... aquilo de pelúcia (e a loja prestes a explodir de tanta gente), éééé... aquilo fofinho (por que todo mundo só vai para o mesmo lugar?), éééé... não tem nem um por perto para servir de mostruário. Nessa hora a menina vem entregar o material. Ei, moço, é isso aqui! E o rapaz: é arminho (entregando as coisas das pessoas sem nem perceber que tinha resolvido um problema secular, literalmente).
Ok. Também vamos precisar de fita e a dessa loja até serve, mas não pode comprar assim no primeiro lugar que chega. Tem que esgotar as possibilidades. Segue a peregrinação num calor e num barulho para poucos, pouquíssimos destemidos. Esforço devidamente recompensado com uma fita linda, cheia de brilho, que dava para ver de longe. Depois de trocar várias idéias com a vendedora, levei o maior achado, da fantasia mais legal, por um preço maravilhoso. Bingo!
Fazendo essas arrumações só lembro de quando eu era criança e tinha o sonho de sair de odalisca no carnaval. Quem danado sabe o motivo? Só pensava: “quero uma fantasia de odalisca”. Nunca usei a tal e hoje está cada vez mais difícil fazer alguma coisa que se refira diretamente a um personagem clássico desses. Minha festa é feita com objetos sobrepostos que ficam com uma certa harmonia, mas nunca um conjunto identificável. Se a pessoa me perguntar do que se trata, sempre tenho o tema geral de cada roupa. É uma coisa orgânica, visceral. (Uiaaa)
E eis que a repórter fala comigo, para a rádio, descrevendo a minha indumentária e ainda me entrevistando depois de muita cerveja e um percurso inteiro de dança no bloco. É o preço que se paga por 10 minutos de ar condicionado. Altíssima cotação do espaço. Rogério foge num átimo de segundo, Léo, ao contrário, vai ao encontro do microfone e eu, pensando que a fala de um era suficiente, fiquei e não tive escapatória. Nem precisa dizer de perguntas, respostas sem noção, risadas e explicações loucas. Ainda bem que as coisas passam e passamos muito bem.
Olinda teve aperto, mas brincadeira suficiente para encobrir tudo de ruim.
Recife teve festa que a gente aproveitou até os últimos acordes. E, sim, eu vi arrastões.
Dancei, cantei, segui atrás de todas as latas que bateram nas ladeiras, becos e ruelas. Assim foi e que assim sempre seja, amém!


2 Comments:
Veronilda...adorei! Adorei o post de hj! Mas achei que faltou detalhes, do tipo:
- subir no "PRATICÁVEL" (odeio esse nome!) da imprensa sem saber pq?
- os baculejos da polícia na rua da moeda.
- o aperto na saída do Marco Zero.
- o Bloco IMPRENSA, querendo entrar no camarote.
- "- Onde tu estais, Veronilda?
- Tô embaixo de Nossa Senhora!"
Sei lá..tantas e tantas coisa...lembra aí...
Adorei mesmo assim!
...e como sempre, o carnaval de verônica sempre faz o meu parecer um retiro espiritual. aleluia! :D
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