Autores, monumentos, livros, efeitos
Ainda são novidades na paisagem, nem criaram um pouquinho de musgo e já passou alguém para detonar com as estátuas de Clarice Lispector, Carlos Pena Filho e João Cabral de Melo Neto, inauguradas há menos de um mês nas ruas do Recife. A única que deu tempo visitar e ver direitinho antes do mala fazer o estrago foi a doidinha da Clarice, na Praça Maciel Pinheiro. Ela morou por ali e hoje fica sentada numa cadeira com uma máquina de escrever no colo, olhando para a fonte da praça. Tem uma luminária do lado e um cigarro na mão esquerda. Tinha. Pois quebraram justamente o baseado da mulher. Aposto que ela veio da Ucrânia só para chegar mais perto de Belém do São Francisco, Cabrobó e Floresta, porque tava ficando muito caro importar marijuana daqui para a antiga União Soviética.

Há um tempo, quando estava quase terminando a lista de publicações dela, parei de ler. Sério, parecia que eu não andava pisando no chão. Era uma coisa que me levava para um mundo paralelo e não trazia de volta quando fechava o livro. Impressionante. Amo Clarice com 100% do meu coração. Tenho um livro dela que ganhei de um amigo há séculos com a dedicatória: “Para Vequinha linda. Numa ladeira de São Paulo eu te encontrei”. É o meu preferido.

No caso de João Cabral era uma questão de semelhança da história do Severino com a minha, totalmente retirante naqueles dias de leitura. Até hoje as margens de tudo me encantam, até as dos rios. Limite e transbordamento, o duo que nos acompanha constantemente. Li Morte e Vida Severina e algumas outras coisas que encontrei, mas nunca com propósito de dissecá-lo como a necessidade que Clarice me despertava. Ele está lá na Rua da Aurora olhando para o rio e teve a praça ao redor do seu banquinho pichada.
Aí larguei essa vida de reflexão profunda (é muito difícil) e andava pelas ruas de Recife recitando (em pensamento, se fosse hoje era em voz alta mesmo) Carlos Pena Filho.
Então pintei de azul os meus sapatos
Por não poder de azul pintar as ruas
Depois vesti meus gestos insensatos
E colori as minhas mãos e as tuas
O cara do Desmantelo Azul, título do soneto que tem essa estrofe acima, está na Praça da Independência e levaram um dedo dele, tadinho.
Desde a inauguração que eu pensava no dia dos primeiros ataques. É quase óbvio quanto existir. Não devia ser assim, mas se os monumentos existem, eles vão ser agredidos. É cruel assim mesmo, é sem informação assim mesmo, é sem educação assim mesmo.

Há um tempo, quando estava quase terminando a lista de publicações dela, parei de ler. Sério, parecia que eu não andava pisando no chão. Era uma coisa que me levava para um mundo paralelo e não trazia de volta quando fechava o livro. Impressionante. Amo Clarice com 100% do meu coração. Tenho um livro dela que ganhei de um amigo há séculos com a dedicatória: “Para Vequinha linda. Numa ladeira de São Paulo eu te encontrei”. É o meu preferido.

No caso de João Cabral era uma questão de semelhança da história do Severino com a minha, totalmente retirante naqueles dias de leitura. Até hoje as margens de tudo me encantam, até as dos rios. Limite e transbordamento, o duo que nos acompanha constantemente. Li Morte e Vida Severina e algumas outras coisas que encontrei, mas nunca com propósito de dissecá-lo como a necessidade que Clarice me despertava. Ele está lá na Rua da Aurora olhando para o rio e teve a praça ao redor do seu banquinho pichada.
Aí larguei essa vida de reflexão profunda (é muito difícil) e andava pelas ruas de Recife recitando (em pensamento, se fosse hoje era em voz alta mesmo) Carlos Pena Filho.
Então pintei de azul os meus sapatos
Por não poder de azul pintar as ruas
Depois vesti meus gestos insensatos
E colori as minhas mãos e as tuas
O cara do Desmantelo Azul, título do soneto que tem essa estrofe acima, está na Praça da Independência e levaram um dedo dele, tadinho.

Desde a inauguração que eu pensava no dia dos primeiros ataques. É quase óbvio quanto existir. Não devia ser assim, mas se os monumentos existem, eles vão ser agredidos. É cruel assim mesmo, é sem informação assim mesmo, é sem educação assim mesmo.


1 Comments:
...é Recife assim mesmo...
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