quinta-feira, janeiro 05, 2006

Estardalhaço de Pitbull com efeito de Pequinês


Existem mais coisas erradas no CD/DVD que registra a parceria entre Ana Carolina e Seu Jorge (Ana&Jorge, Sony, 2005) do que a palavra ‘pequenez’ no título da faixa cinco, quando eles tentavam se referir a pequinês, raça de cachorro.

Como conversa de palco (e de bar) o disco é excelente. Mas como surgimento de coisas novas na música brasileira, da forma que foi alardeado, fica no ouvinte/telespectador a sensação de que todo o trabalho foi feito a partir de uma cervejada, quando alguém ouviu um papo e resolveu bancar o projeto. Aqui pra nós, o surgimento de tons, versos e melodias interessantes num encontro não tem nada de excepcional, muito menos em se tratando de músicos de tamanha competência.

Tinha cheiro de retorno monetário no ar e isso foi percebido antes da idéia ser colocada na rua. Nada soa tão pouco acidental. E não é. Existe um propósito, sim. Tanto que até agora foram comercializados 150 mil unidades ao todo, 100 mil CDs e 50 mil DVDs, números que já renderam discos de platina para a dupla. Nada mal para uma aventura musical puxada por É Isso Aí, versão de Ana Carolina para Blower´s Daughter (Damien Rice), do filme Closer. (Por sinal, bem mais emocionante do que a também versão feita da mesma canção por Zélia Duncan e interpretada por Simone.)

O disco traz ainda músicas das carreiras solo de Ana Carolina e Seu Jorge, além de dois textos de Elisa Lucinda, musicados pela dupla. Aí é que está o detalhe, confirmando a minha tese: não existe novidade. Quem acompanha os dois artistas possui, pelo menos umas duas vezes, o repertório escolhido.

É. Eu sei. Morre o artista, morre quem critica e a obra fica. Ainda bem. O CD/DVD tem grande mérito de mostrar ao público uma boa conversa que, de outra forma, ficaria registrada somente na memória dos convidados para uma reuniãozinha dos dois em alguma granja nos arredores do Rio de Janeiro. Dia desses, quando da passagem de Seu Jorge pelo Brasil...

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

argh, que eu odio essa música. meio caminho andado pra odiar o disco todo, a parceria e tudo o que tiver a ver com o assunto.

06 janeiro, 2006 11:55  
Anonymous Anônimo said...

quero que eles adoeçam e sumam.
adorei o texto.

06 janeiro, 2006 17:12  

Postar um comentário

<< Home