Coisinhas de mocinhas

Salão de beleza é, definitavamente, um ambiente complicado para mim. Ainda que eu não vá fazer nada, só acompanhar. Talvez pior ainda nesse caso. Lá vai Marta fazer um milhão e quinhentas mil coisas no cabelo, num lugar bem badalado e que demora milhares de anos para terminar o serviço.
Enquanto isso, fico eu a ver as caras ótimas das clientes e atendentes.
Uma senhora galega do meu lado esquerdo faz altas caretas enquanto a mocinha mexe nos pés dela. Ao mesmo tempo, a outra atendente põe uma seqüência de cremes nas mãos da mesma cliente. Agora já vai mais uma espuminha e luvas descartáveis. Para que será tanta coisa? Acho que vão ficar, pés e mãos, verdadeiras delícias. Tudo resumido num serviço que deve custar uma pequena fortuna.
Fico pensando no meu ritual para fazer o mesmo processo. Sim, porque eu consigo um resultado infinitamente melhor do que as manicures que têm me atendido por aí. Será que é porque elas não são badaladas? Só sei que termino tudo que preciso fazer em casa e estou com as mãos em estado excelente para tirar as cutículas. Depois de lavar roupa, fazer comida, lavar os pratos e limpar o fogão é hora de começar a sessão salão de beleza. Uso um alicate ótimo que tira tudo bem certinho, não deixa um pingo de excesso e raríssimas vezes me corta. Quando ele começa a ficar cego levo para amolar lá perto do Pátio de São Pedro. (Percebe a tranqüilidade?)
Depois das unhas prontas é só usar um hidratante que me resolve a vida (“que me resolve a vida” significa que não é caro) e pintar com o esmalte que estiver melhor na hora. Sem toalhinhas brancas guardadas em sacos individuais, sem estufa para o material, sem sandálias descartáveis, sem borrifadores.
Na minha sessão Cinderela o serviço é exatamente do tamanho da necessidade da cliente. E dura. Passa a semana quase toda do mesmo jeitinho de quando foi feito. Um primor! Minha casa fica uma beleza e as minhas unhas idem. Serviço exclusivo que jamais seria oferecido à senhora dos cabelos galegos e esvoaçantes. (Imagino a fala dela numa hora dessas: “Eu não queria mesmo.”)
Quando vai embora ela diz à manicure: “Estou no céu!”. Pois é, cada um com seu cada qual.
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É numa hora dessas que Zeca Baleiro canta:
Baby você não precisa de um salão de beleza
Há menos beleza num salão de beleza
A sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro puro do engano da imperfeição


2 Comments:
Adoreiiiiiiiiiiiii, Veronilda!
ahahaha, a propaganda é tão grande que um dia eu vou solicitar os teus serviços! semana passada uma doida me tirou um bife que dava pra assar na churrasqueira :(
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