domingo, março 12, 2006

Parece, mas não é

Regularmente a revista Veja me convida para fazer parte do seu séquito de assinantes. Sem a menor cerimônia, já chegam os exemplares na minha casa. O melhor disso é que ninguém liga dizendo que vai estar me enviando e eu vou estar recebendo. No dia que acaba, termina. Dali a uns tempos, começa tudo de novo.

Da última vez, por volta da terceira semana veio um número com aquilo que pode ter motivado uma grande estratégia para conquista de novos assinantes: um baita encarte do banco Santander. Essa peça é para deixar a concorrência de cabelo em pé e fazê-la se reunir para repensar a relação com o mundo. Um pôster imenso dos jogadores da seleção brasileira de futebol que estão protagonizando a campanha na televisão, outdoor, internet e impressos. É impossível ver Roberto Carlos, Cafu, Ronaldinho, Ronaldo, Robinho e Kaká sem pensar no peso de ouro que foi pago a eles para uma simples pose. Isso se fosse individualmente, sendo todos, num paredão de oito dobras, em couchê, no meio da revista, fica mais provocador ainda. Principalmente quando se sabe o valor de um anúncio de página simples.

Calcule-se o quanto foi pago pelo cachê de cada jogador, junte-se o valor da veiculação, criação, produção... Está tudo explicado. A editora se refestelou e se danou a imprimir. O jeito foi escoar na casa de quem algum dia deixou um endereço no site da Abril.

Isso é o elementar. Estrategicamente, o banco aposta em pesquisas que retratam um brasileiro ainda crente em publicidade e busca ganhá-lo pelo que mais se aproxima da sua realidade: o futebol. Da mesma forma que o HSBC aposta em perna cabeluda, pão de queijo, praias, lendas e expressões locais. O Santander, espanhol, entra de carrinho com os famosos e o HSBC, inglês, corre pela via dos anônimos. Ambos buscam muito mais do que correntistas. Ao fim e ao cabo, procuram se confundir com um país como se, camufladamente, fizessem parte da paisagem.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

sou assinante Veja, e até me assustei quando abri a revista e um mega-pôster caiu de dentro!
e como você falou... é inevitável não pensar no cachê que eles ganharam! e inevitável é imaginar que eu estudo pra que? pra não chegar nem aos pés do salário desses semi-analfabetos? hehehehe
mas eles são o ópio da nação! :P~

13 março, 2006 10:38  
Anonymous Anônimo said...

...e eu percebo o quanto estou ficando fútil quando, depois de toda uma reflexão teórico-mercadológica destas, fico me perguntando somente porque ninguém me manda Veja de graça... chuif chuif chuif!

13 março, 2006 19:34  
Anonymous Anônimo said...

Veronilda...p...q...p....
Arrasasse nesse post!
Cada dia q passa, mais sou teu fã...principalmente agora, sabendo q tu ganha a VEJA de grátis....hhihihihihih

Brigaaaado por eu não receber!

Nada, tchau!

14 março, 2006 09:06  

Postar um comentário

<< Home