Máquina dos lugares e dos tempos

“Já vai ganhar o mundo?” Essa frase, cheia de ironia e cobrança possível, era dita pela mãe todas as vezes que a filha estava saindo de casa e não era para ir ao colégio, fazer algum mandado ou para ir à igreja. Ganhar o mundo significava simplesmente sair e pronto.
Naqueles dias, a filha nem planejava ganhar o mundo. Pelo menos não como Karina, protagonista da história A Máquina, livro citado no post anterior. Karina queria ter o mundo fora de Nordestina e ela, ao contrário, achava que o mundo daquela cidade já estava de bom tamanho. Só que um dia o mundo veio e não mostrou alternativa senão ganhá-lo. Foi quando se deu o diálogo:
- Tu volta (sic) quando?
- Eu não volto.
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Mas se antes de ir ao mundo qualquer aventureiro precisa de documentos, imagina no caso dela, que tinha todo o percurso determinado? Foi numa madrugada que Cacá, Fabíola, Jane e ela foram fazer os documentos de identidade. Como ‘madrugada’ se isso não é “horário comercial”? Porque era nessa hora que saía a ambulância da cidade para a capital. Na verdade, ela tinha ido na semana anterior e já estava com o RG. Ia novamente porque a finalidade era fazer os documentos das amigas e, no mesmo dia, a inscrição para o vestibular.
Nordestina pode não ter ninguém representando a Secretaria de Segurança Pública. Nessa outra cidade tinha, mas depois da inscrição, a cédula só estaria na mão da cidadã um mês depois. Não servia para o prazo delas. Elas tinham pressa.
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Três cidades, três meninas...
Nordestina é uma cidade da ficção que fica no interior de Pernambuco.
Vitória de Santo Antão é real e também pernambucana.
Karina, de Nordestina, e Lisbela, de Vitória de Santo Antão, sonhavam em ganhar o mundo.
Elaine morava em Petrolina, não era ficção, mas também ficava em Pernambuco. Um dia, Elaine chegou ao Recife e foi estudar química na UFPE. Mas ficar fechada num laboratório vestida com bata, touca, máscara e luvas era muita penitência para quem não tinha cometido nenhum deslize. Ela foi, então, fazer artes cênicas. Depois de se tornar arte-educadora, atriz, bailarina, profissional concursada e mutuária da Caixa Econômica, Recife ficou pequena. Elaine se desfez de todas as coisas materiais e foi ganhar o Rio de Janeiro levando os seus bens imateriais. Fez figuração na minissérie JK.
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Por que as histórias? Por causa dA Máquina mesmo. O filme.


1 Comments:
Vitória é minha terra! Felizmente ou infelizmente!
E quero ver o post das "mães porra-loucas" hahhaa
Beijos
=]
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