domingo, abril 02, 2006

Dos acontecimentos e das impressões

Transferência do cargo do governador para o vice, procissão dos fiéis católicos e uma possível manifestação de delegados em greve. Todos esses eventos programados para acontecer no mesmo bairro, no mesmo dia e numa hora em que o trânsito já não funciona muito bem em dias normais. Sabendo disso, me preparei psicologicamente para caminhar pelas ruas, resolver coisas e não pensar em hora nenhuma para chegar em casa. (Porque com hora marcada e presa dentro de um ônibus que não sai do lugar, dá logo uma desimpaciência no espírito.)

Na rua.
Fogos explodem no céu escuro de lua nova colorindo a noite e arrancando dúvida dos transeuntes. Era tanta da gente que não tinha nem idéia do que se passava no terreiro do Palácio.
Se protesto de delegado existisse também devia estar por lá, ao lado do púlpito festivo. Não confirmei.

A dois quarteirões da festa governamental, comemoração dos católicos no meio da Praça da Independência. É muito interessante ver as prostitutas e seus clientes, personagens que se confundem com a praça, dividindo espaço com a autoridade-mor da igreja, o bispo José. Ele falava para as pessoas e dizia que quem estava ali receberia uma graça. Eu como total partidária de uma bênção, como já falei aqui, fiquei pensando que os merecedores deveriam ser aqueles senhores e senhoras, homens e mulheres que se voltavam para as imagens e acompanhavam a procissão. Chorei que só. Não por me reconhecer pouco merecedora da bênção, mas por lembrar de quando ia a todas as festividades da igreja e não tinha restrição alguma em relação a ela.

Antes de José acabar a fala, continuei a minha peregrinação individual, deixando-o cercado pelos fotógrafos dos três jornais recifenses.

Fui escrevendo essa historinha no ônibus quando uma senhora bem gordinha do meu lado inicia um diálogo:
-Você gosta de escrever, não é?
-Gosto. (Uma pessoa beeem simpática.)
-Você é escritora?
-Sou nada. (Já num tom menos indelicado e mais de lamentação.)
-É jornalista?
-Sim. (Volta a grande capacidade de interação.)

Se ela falasse de CPI, da chuva, do calor, do governador, dos delegados, do trânsito... a gente conversava até o destino final. Mas foi falar logo de mim, lascou.
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Ligo a televisão e está lá sendo entrevistado Jesus Cristo, o José Pimentel pernambucano. Ele diz que vai continuar a fazer o papel de Cristo enquanto puder carregar a cruz, jogar futebol duas vezes por semana e fazer musculação. Por que será que o povo sempre faz essa pergunta a ele? Qual é problema dele fazer? Tem uma fila de Jesus esperando? Todo cabeludo acontece com esse papel no carnaval. Não já é uma ótima realização?
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Dia da mentira também é dia de aniversário de Fabiana. Parabééénsss!!
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E a noite foi o babado forte que a gente estava se programando há dias. De tanta expectativa, Roberta passou mal e a gente adia esse encontro com ela para um outro show. Por um lado, já é a garantia de ir ao próximo.
Calypsooooooooo!!!
Não tinha visto outros, mas as pessoas comentavam que se não fosse gravação de DVD, seria diferente. Enfim...
Antes da abertura das cortinas, um produtor vem avisar que as pessoas não precisam se empurrar. Imagina, logo no gargarejo, onde mais aparecem, elas precisam ter carinhas felizes ou, no máximo, um choro de emoção.
Ele diz também que serão gravadas cinco músicas lentas e que no apagar das luzes as pessoas acendam isqueiros e celulares.

As cortinas vermelhas se afastam e mostram Joelma em traje de festa do Oscar. O público em delírio coletivo é captado por duas gruas ágeis no meio da massa.
Ela é muito competente no palco e o conjunto da apresentação mostra uma proposta de marketing da banda feita exatamente para garantir esse resultado. Tanto que foram feitas algumas dublagens onde ela simplesmente representa o “teatro” da história da música. Gravação com direito a repetição e tudo. Os refletores potentes, por sua vez, não deram oportunidade ao apagão para entrada de isqueiros e celulares.

Nem lembro quanto tempo teve o show, mas um único figurino permitiu quatro trocas no palco mesmo. Peças que iam sendo tiradas e todo mundo, cantora e dançarinos, ficava com uma roupa diferente. As meninas do corpo de dança são todas mais altas do que Joelma e praticamente da mesma estatura entre si. Visualmente fica interessante para um grupo que se apresenta para multidões.

Dançamos, cantamos, suamos e fomos para casa como os abençoados da procissão.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

:)))))))))

03 abril, 2006 10:14  

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