Horário Quaraquaquá
Começou o horário eleitoral gratuito há uma semana. É o mesmo tempo que os vizinhos devem estar estranhando minhas risadas meio altas. Na falta de coisa mais agradável para diversão, restam os candidatos para fazer uma graça de vez em quando. O programa também é conhecido em Pernambuco como 'guia eleitoral', nome que não se encontra em outro lugar do Brasil.
Nesta edição eles vieram com gosto de gás. No afã de melhor informar os seus eleitores a tela está altamente poluída com nome do candidato, partido, símbolo, número, legenda e linguagem de sinais, as libras. Se o camarada for candidato a deputado, então, vai o resto de referências dele até o presidente. Quase não sobra espaço para mostrar o rosto do distinto.
Na salada de cores, letras e números quem tem menos dinheiro mostra mais a falta de alguém que dê um pitaco para ajudar. - Fazemos contratos. - E lá vem uma legenda virada na gota que não tem deficiente auditivo que leia, tal a velocidade. Meu amigo chama de 'legenda corredeira'. Isso quando não é uma fonte minúscula, em um fundo sem contraste, onde se perdem os caracteres. Se o eleitor, coitado, conseguir ler vai perceber uma diferença aqui outra ali do escrito para o falado. Sem contar os erros de português que, por enquanto, anotei “nececidade” e “existe a mais de 100 anos”. Descobrindo outros, vou mostrando aqui.
Candidato cheio de dinheiro faz um negócio que parece efeito produzido por Hans Donner. Já outro grava em tela maior do que vai ser exibido na televisão daí fica cortando as laterais, justo o começo do nome e o final do partido. Não é conhecido e perde uma oportunidade dessas, por pequena que seja.
Um cidadão que não lembro o nome me informa o seu número: “Vote Fulano, número quarenta e quatro, quarenta e quatro. Ou seja, quaraquaquá, quaraquaquá.” Estou avisada, pois. Zé do (sic) Óculos deve usar lente de contato, pelo menos aparece sem nada para enxergar melhor. Sargento Cristiane fala com cara de militar mais do que de mulher. “Ei, psiu!” é como tenta se diferenciar o Irmão Geraldo. E como são muitos os candidatos da fé, evangélicos de todas as linhas. Irmão, irmã, pastor, reverendo. Quando você pensa que já viu de tudo, aparece He-Man. É rir para não chorar mesmo.
Um nome conhecido, candidato ao governo estadual, fala de um programa educativo para as mulheres que vai incentivar o uso de preservativos e anticoncepcionais, mas avisa que é só um paliativo. Sim, “porque no futuro vamos estimular a histerectomia”. Se o horário dele tivesse linguagem de sinais, como será que a mocinha das libras ia fazer essa mensagem nos gestos?
A ‘gesticuladora’ de Heloísa Helena é negra. Deve ser o cúmulo do politicamente correto.
E fico aqui fazendo mais um dos meus filmes nunca concretizados: fundo branco com personagem em plano médio falando discurso de candidato, enquanto no quadrinho dos sinais os gestos são aqueles bem pouco educados que todo mundo conhece.
Nesta edição eles vieram com gosto de gás. No afã de melhor informar os seus eleitores a tela está altamente poluída com nome do candidato, partido, símbolo, número, legenda e linguagem de sinais, as libras. Se o camarada for candidato a deputado, então, vai o resto de referências dele até o presidente. Quase não sobra espaço para mostrar o rosto do distinto.
Na salada de cores, letras e números quem tem menos dinheiro mostra mais a falta de alguém que dê um pitaco para ajudar. - Fazemos contratos. - E lá vem uma legenda virada na gota que não tem deficiente auditivo que leia, tal a velocidade. Meu amigo chama de 'legenda corredeira'. Isso quando não é uma fonte minúscula, em um fundo sem contraste, onde se perdem os caracteres. Se o eleitor, coitado, conseguir ler vai perceber uma diferença aqui outra ali do escrito para o falado. Sem contar os erros de português que, por enquanto, anotei “nececidade” e “existe a mais de 100 anos”. Descobrindo outros, vou mostrando aqui.
Candidato cheio de dinheiro faz um negócio que parece efeito produzido por Hans Donner. Já outro grava em tela maior do que vai ser exibido na televisão daí fica cortando as laterais, justo o começo do nome e o final do partido. Não é conhecido e perde uma oportunidade dessas, por pequena que seja.
Um cidadão que não lembro o nome me informa o seu número: “Vote Fulano, número quarenta e quatro, quarenta e quatro. Ou seja, quaraquaquá, quaraquaquá.” Estou avisada, pois. Zé do (sic) Óculos deve usar lente de contato, pelo menos aparece sem nada para enxergar melhor. Sargento Cristiane fala com cara de militar mais do que de mulher. “Ei, psiu!” é como tenta se diferenciar o Irmão Geraldo. E como são muitos os candidatos da fé, evangélicos de todas as linhas. Irmão, irmã, pastor, reverendo. Quando você pensa que já viu de tudo, aparece He-Man. É rir para não chorar mesmo.
Um nome conhecido, candidato ao governo estadual, fala de um programa educativo para as mulheres que vai incentivar o uso de preservativos e anticoncepcionais, mas avisa que é só um paliativo. Sim, “porque no futuro vamos estimular a histerectomia”. Se o horário dele tivesse linguagem de sinais, como será que a mocinha das libras ia fazer essa mensagem nos gestos?
A ‘gesticuladora’ de Heloísa Helena é negra. Deve ser o cúmulo do politicamente correto.
E fico aqui fazendo mais um dos meus filmes nunca concretizados: fundo branco com personagem em plano médio falando discurso de candidato, enquanto no quadrinho dos sinais os gestos são aqueles bem pouco educados que todo mundo conhece.


1 Comments:
ontem eu vi: bandido bom é bandido morto! quaraquaquá, esse mundo vai se acabar!
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