sábado, agosto 12, 2006

Calvin, um brasileiro


Muita gente lembra do acidente com o ultraleve sofrido por Herbert Viana. Esta história é de quando ele ainda estava ileso. Não vivia em cadeira de rodas, pensava que o Sarah Kubitschek era um hospital de referência em reabilitação e a gente até curtia o grupo dele, Paralamas do Sucesso. Inclusive a essa altura o sucesso era “Uma brasileira” - rodas em sol, trovas em dó / uma brasileira, ô / uma forma inteira, ô / you, you, you.

Débora e eu éramos colegas de turma na disciplina dicção e locução, estudantes de jornalismo e publicidade, respectivamente. Período no qual surgiu a oportunidade de participarmos de um projeto da universidade, executado em cidades do interior de Pernambuco, quando passamos a dividir quartos de hotel mundo adentro.

Eu ficava chateada porque ela não me acompanhava nas atividades pós-projeto e acabava indo sozinha com a ala masculina jogar sinuca, tomar cerveja e ter discussões existenciais. Por outro lado, ela não agüentava porque eu acordava cedo cantando “amanhece, amanhece, amanhece, amanhece, amanhece o dia / a frieza do relógio não compete com a quentura do meu coração / bom diiiia sol, bom dia, dia”.

E assim passávamos os dias trabalhando, trabalhando.

Adoramos a coincidência de datas quando teríamos a semana executando o projeto em Garanhuns e, na sexta-feira, a abertura do Festival de Inverno. Era minha primeira vez na festa e eu não cabia em mim de felicidade e expectativa. À noite vimos Mestre Ambrósio, Coração Tribal e Paralamas do Sucesso.

No sábado, depois do café da manhã, nossa caravana pegou a estrada de volta. Não sem antes a gente dar uma volta na cidade e ainda fazer umas fotos com o nome do evento emoldurando o papel.

O motorista já nos chamava quando saí correndo e ela atrás de mim dizendo alguma coisa que não dava para entender na hora. Ela se aproximou e repetiu: “Ele podia ser o homem da minha vida. Nunca mais vou vê-lo de novo”. Não tive como evitar uma gargalhada nessa hora. E mandei: “Oxe, se for, ele vai para Recife”. (Sei mesmo ser delicada como ninguém.) Ela tinha visto algum mancebo garanhuense naquele tempinho de nada e queria levá-lo para casa.

Hoje, 11 de agosto, dia do aniversário dela, Débora foi mãe de Calvin, o primeiro filho. O caboclo de Garanhuns ficou por lá, ou não. Já o pai de Calvin é uma figuraça que não passa despercebido em nenhum ambiente. Eles já se falavam e trocavam altas idéias no mundo virtual antes de acontecer o encontro pessoalmente.

Foi justamente comentando uma discussão internética deles que fiz as melhores recomendações da amiga para ele. E tudo se resolveu. A vida é bela, o amor é lindo, a felicidade até existe.

Daqui por diante eles vão ter o maior trabalhão porque, além de ser filho de quem é, isso já suficiente, o rebento ainda traz o reforço do nome para ser bem danadinho. Mando daqui feliz aniversário para a mãe, parabéns para o pai e muito, muito fôlego para os dois.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

calvin cajueiro, é o nome da criança? :)

14 agosto, 2006 11:00  

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