segunda-feira, outubro 10, 2005

Um dia vou pensar assim...

"...desde os anos 1960 a família como a conhecemos até recentemente está perdendo sentido e é preciso reinventar novos modos de união e de reprodução, para além do modelo coercitivo que herdamos de nossos pais e avós. O que a meu ver não se perde de modo algum, a despeito de todas as revoluções comportamentais, é o valor do afeto. No fundo a questão que subsiste é de quem posso gostar, no amor e na amizade, e de como fazer para que esse amor tenha continuidade. O amor é um grande acontecimento, que nenhum cálculo racional, nenhum projeto empresarial baseado no casamento tradicional explica. É desse amor que tratam muitos textos relacionados à descontrução, um acontecimento ou evento inexplicável, que reforça mais ainda as estruturas vitais, em vez de destruí-las. Um amor-amizade para além de toda tábua fixa de valores, de toda moral imposta. Aliás, só existe atitude ética quando as regras não são fornecidas de antemão, quando os indivíduos são livres para decidir o que é melhor para cada um e para todos. Isso está diretamente relacionado à democracia."

Evando Nascimento, em entrevista concedida a Carla Rodrigues, falando sobre o pensamento de Jacques Derrida.
Veja aqui quem são eles e/ou leia o texto na íntegra.