segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Dançar parece com não morrer



Fotos: Projeto In'Formar
Que seja assim
Regendo a festa
Ainda que ela não seja regida por mim.

Que seja sempre assim: a dançar no meio da rua. Rodeada de gente também dançando, ou ao som dos carrinhos de CD pirata em dias normais ou ainda numa rua deserta. Essas fotos mostram o carnaval que acabou de acabar, outro sem número de fotos me mostraria dançando a esperar oportunidade para atravessar a Marquês de Olinda na hora do almoço, felizmente isso não precisa ser registrado.

Mas a melhor de todas e que merecia, sim, 30 segundos gravados pelo menos no celular, foi numa rua sem quase ninguém. Vinha dançando e, ao dobrar a esquina, vi uma dupla de policiais a alguns metros. Um deles começou a fazer os mesmos passos que eu. Tomara que isso seja pré-requisito para fazer parte da corporação. Era um passo pouco conhecido mostrado na peça Ilha Brasil Vertigem, que eu tinha acabado de ver. Encenação belíssima na qual os atores são caboclos de maracatu rural executando coreografia contemporânea. Não os guris da capital caracterizados, mas os próprios homens das cidades da Zona da Mata.

Há poucos dias, alguns parentes meio perdidos no hall do andar onde moro perguntaram ao vizinho:
- Quem mora aqui?
- É uma menina que dança.

Deixo registrado que entre mim e alguém ‘que dança’ há uma distância considerável. O negócio é que ele me viu chegando de um evento com a roupa da apresentação e perguntou:
- É uma quadrilha?
- Um festival de dança.

Nada além. Informação suficiente para o breve diálogo.

Importante é que o meu bloco de uma única pessoa sai às ruas durante o ano inteiro. Com maior ou menor concentração, mais ou menos fazendo um itinerário lógico, às vezes cansando, às vezes repensando o trajeto, a indumentária, os convidados...
Viva o Grêmio crítico-lítero-recreativo-anárquico-armorial-dançante-pós.new.pop.retrô!