De portas bem fechadas

E eis que chegam as festas de fim de ano seguidas das inúmeras inaugurações de iluminação de prédios públicos e da própria cidade. Tudo comemorado com as tradicionais queimas de dinheiro, ops, de fogos. Apesar de lamentar o desperdício, vejo um céu tão bonito aqui da minha janela. Os shows pirotécnicos até acontecem em outras épocas do ano, mas agora é muito mais freqüente.
Esse tipo de barulho da rua às vezes encobre o movimento da casa da vizinha. Às vezes.
No apartamento colado ao meu moram duas irmãs bem empreendedoras, o filho de uma delas e a mulher dele. Elas ainda têm outros parentes no edifício, além de um amigo que fala alto e deve ser a gentileza em pessoa. Ou seja, gente suficiente para causar o maior buruçu.
Ainda bem que passo a maior parte da semana fora de casa. Mas no sábado logo cedo Gentileza chega e não posso deixar de ouvir fragmentos de falas. “Oi, bom dia, cheguei para ajudar”, ele diz, já abrindo a porta. Daí faz faxina na casa e deixa comida pronta para todo mundo. Ouço porque, na despedida, enquanto espera o elevador, ele passa instruções aos que ficam. Penso que dois andares para cima e dois para baixo ficam por dentro de tudo que deve ser feito.
Dia desses, a dona ia sair e chamou três vezes por ele antes de colocar o cadeado no portão. Alguém avisou que ele já tinha ido e ela respondeu que estava chamando porque uma vez o bichinho estava na cozinha e ficou trancado.
Coexista – Nessas horas de sobe som, a fala mais significativa para mim foi dita pela nora dela: “não tem nada, não. A gente vai se mudar da sua casa”. Fiquei pensando em um passado beem longínquo quando coexisti com a instituição sogra. E era um tempo ótimo por se tratar de uma exceção, porque ela gostava de mim.
Tínhamos horários de trabalho diferentes e eu sempre fazia o jantar. Porque sempre fiz em todas as coletividades por onde passei. Fiz e faço para a minha própria pessoa. Sim, porque a fome vai chegar e não adianta começar a pensar em alguma coisa quando já devia estar tudo pronto. Daí já que estou fazendo para mim, aumento as quantidades para quem quiser também.
Esse tipo de barulho da rua às vezes encobre o movimento da casa da vizinha. Às vezes.
No apartamento colado ao meu moram duas irmãs bem empreendedoras, o filho de uma delas e a mulher dele. Elas ainda têm outros parentes no edifício, além de um amigo que fala alto e deve ser a gentileza em pessoa. Ou seja, gente suficiente para causar o maior buruçu.
Ainda bem que passo a maior parte da semana fora de casa. Mas no sábado logo cedo Gentileza chega e não posso deixar de ouvir fragmentos de falas. “Oi, bom dia, cheguei para ajudar”, ele diz, já abrindo a porta. Daí faz faxina na casa e deixa comida pronta para todo mundo. Ouço porque, na despedida, enquanto espera o elevador, ele passa instruções aos que ficam. Penso que dois andares para cima e dois para baixo ficam por dentro de tudo que deve ser feito.
Dia desses, a dona ia sair e chamou três vezes por ele antes de colocar o cadeado no portão. Alguém avisou que ele já tinha ido e ela respondeu que estava chamando porque uma vez o bichinho estava na cozinha e ficou trancado.
Coexista – Nessas horas de sobe som, a fala mais significativa para mim foi dita pela nora dela: “não tem nada, não. A gente vai se mudar da sua casa”. Fiquei pensando em um passado beem longínquo quando coexisti com a instituição sogra. E era um tempo ótimo por se tratar de uma exceção, porque ela gostava de mim.
Tínhamos horários de trabalho diferentes e eu sempre fazia o jantar. Porque sempre fiz em todas as coletividades por onde passei. Fiz e faço para a minha própria pessoa. Sim, porque a fome vai chegar e não adianta começar a pensar em alguma coisa quando já devia estar tudo pronto. Daí já que estou fazendo para mim, aumento as quantidades para quem quiser também.
Aí, no fim de semana, ela avisava logo cedo que faria o jantar. “Vou fazer ruansas & ruansas porque Juninho gosta”, olhando bem direitinho para mim. Detalhe que no nome do cidadão não tem a palavra Júnior em lugar algum. E eu calada estava, calada permanecia. A razão era completamente dela, assim como a casa, as panelas, os ingredientes e Juninho.
Pois as palavras do corredor me lembraram disso que eu tinha quase esquecido. Digo quase porque essas coisas a pessoa só precisa lembrar de vez em quando, o suficiente para não repetir.


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