domingo, outubro 21, 2007

Da leveza de brincar

O Boi do Cupim é formado em sua maioria pelos integrantes do Maracatu Piaba de Ouro. Foi criado para proporcionar descanso ao pessoal que trabalha todos os dias do carnaval. O ritmo é de maracatu rural feito pelo próprio terno do Piaba. Terno, nesse caso, é o grupo de músicos e, diferente do que o nome sugere, tem mais de três pessoas: uma cuíca -a “póica”- bombinho, gongué, trombone e o que mais aparecer na hora. No vocal, vai o mestre tirando improvisos. O que no Boi do Cupim a maior parte do tempo de apresentação é um posto assumido por Maciel Salu. Mas ele reveza com o próprio irmão Dinda.

Se a pessoa que incorpora, ou veste, um boi é a alma, o terno pode muito bem ser o coração, o que faz a animação do grupo. Margeando o terno, duas filas de pastoras que dançam, respondem o os versos do mestre e fazem uma evolução ao redor dos personagens chamada de manobra.

O Boi do Cupim tem um estandarte precioso ostentando a data de fundação, em fevereiro de 1997. Tem Mateus, Bastião, vaqueiro, as burrinhas e Catirina. Junto desse elenco, o público que acompanha o cortejo cantando e dançando. O desfile acontece sempre à tardinha da quarta-feira de cinzas, em Olinda, saindo do Largo do Guadalupe até chegar à Rua da Boa Hora, em frente à casa de Dona Dá. Aí se concentram outros grupos que saem de outros pontos de concentração: Boi da Macuca, Boi Cara de Sapo, Boi da Gurita Seca, Boi Marinho, cada um com a sua história rumo ao encontro de bois.

Na lenda do Boi do Cupim, uma praga que explica o nome. Deu cupim na madeira quando a estrutura ficou pronta e precisou fazer tudo de novo.

O grupo nasceu como forma de relaxamento e descontração, nada de compromisso, ensaio ou estresse. Por isso mesmo que é bom. Com esse objetivo resolvido, abraça de todo coração quem vai chegando.

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Dona Dá é uma senhora fofa que mora na Rua da Boa Hora, em Olinda. Todos os anos ela prepara um troféu para distribuir com as agremiações durante o carnaval. Quando os bois chegam lá, na quarta de cinzas, fazem loas para ela e ganham em troca frutas, aguardente e, claro, o troféu.

Na casa de Dona Dá (Maciel Salu)

Chegou a quarta, eu vou embora
Brincar o boi, na Rua da Boa Hora
Samba domingo, segunda e terça
Mas não esqueça quando a quarta chegar

O samba é bom, o terno é quente
Vai muita gente pra casa de Dona Dá

Boi da Gurita Seca e o Marinho
Tá no caminho junto com Cara de Sapo
Boi do Cupim e da Macuca
Não se assuta com o Boizinho Alinhado


Da Igreja de Guadalupe pra Pitombeira
Desço a ladeira que a missa vai começar
Na Bodega de Véio tomo uma bicada
Canto uma marcha e volto de novo a sambar