domingo, julho 01, 2007

Carona – a maior diversão

Desde a mais remota era sempre pensei que carona fosse o transporte do futuro. Ninguém pergunte qual. Mas é que ao me deslocar para a universidade de uma distância que vencia facilmente a pé, ficava pensando em como seria bem mais rápido para todo mundo se aquele povo todo, um só em cada carro, vindo da mesma direção, buzinando insandecidamente, se organizasse e andasse em grupos.

Ali pensava uma pós-adolescente sem considerar os compromissos individuais das pessoas depois das aulas.

Para o caso de viagens mais longas usufruí demais do recurso “vou também”. Não tanto no sentido de aventura, porque sempre agendei o bigu com pessoas da mais alta confiança.
A única vez que sentei mesmo à beira do caminho foi em Sertânia, a uns 15 minutos de carro de Monteiro, meu destino. Justamente em época junina. Era ano de Copa do Mundo de Futebol e estava acontecendo jogo do Brasil. Ao chegar à cidade, não tinha um pé de gente no meio da rua, muito menos os famosos transportes alternativos tão comuns entre as duas cidades.

O tempo passava e nada acontecia. Engraçado, é assim até hoje naquela região.

Quando começou a anoitecer foi batendo um medinho. Meio medo, é verdade, porque se não aparecesse ninguém, era só passar a noite na casa dos parentes de lá. Pára uma caminhonete. Era um senhor que conhece a família toda e morou na mesma rua que a gente, inclusive. Cheguei umas sete horas da noite, feliz e satisfeita já na carreata da vitória do jogo.

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São vários os episódios de ir dormir na casa de quem oferecia a carona, na noite antes da viagem. Uma delas, a sogra do ex-prefeito. Da melhor qualidade, Recife-Monteiro sem parar de maneira nenhuma. Difícil para quem dirige, mas é minha modalidade favorita.

Ao contrário de uma roubada sem noção quando fui dormir em uma granja em Moreno porque a família seguiria para Serra Talhada e me deixaria em Arcoverde. Negócio de muito futuro. Cheguei lá por volta das três horas da madrugada e, obviamente, não tinha um pingo de transporte. Esperar amanhecer, pelo menos. Que remédio?

Chica já me deixou em Caruaru, também no São João, à noite. Nessa época, uma tia estava morando lá e me deu abrigo até o dia seguinte.

O cúmulo foi viajar em cima de uma caminhonete até João Pessoa. Código de trânsito veio muito depois disso. Essa já foi voltando de Monteiro. Um boyzinho bem famoso aproveitava a carona também. Ele, eu e uma carga de caixas que a família transportava para a capital. Cenário perfeito para cair um toró. E caiu. Felizmente estávamos perto de um posto de gasolina e o motorista ficou lá um tempo “até estiar”, como nos explicou.

O guri desceu na entrada de Bananeiras, perto de Campina Grande, e eu segui. Ainda hoje ele me cumprimenta depois desse episódio.

Inúmeras foram as vezes em que o amigo padre Gabriel me levou. A mais inusitada foi quando chegou a Pesqueira e ele pegou uma estrada alternativa, passando antes em São Sebastião do Umbuzeiro para celebrar um casamento. Cerimônia realizada, noivos parabenizados, pé na estrada.

Sigo sempre. De caronex ou morrendo de medo dentro dos ônibus.