Várias pedras no reino

No fim de 2006 um monte de gente desconhecida aportou em Taperoá, na Paraíba. Além das pessoas, uma parafernália de equipamentos e marcenaria para a produção de cenários. Era a equipe de televisão que chegava para gravar um especial em homenagem aos 80 anos de Ariano Suassuna, baseado no livro de autoria dele A Pedra do Reino.
Agora chegou a hora da exibição. Vão ser cinco capítulos que estão mais do que divulgados, e o público deve estar esperando algo bem parecido com O Auto da Compadecida, também escrito por Ariano, adaptado para a televisão e virou filme depois. Daqueles filmes que a crítica adora dizer que é a linguagem de TV mostrada no cinema, que assim é muito fácil, que Guel Arraes isso, João Falcão aquilo... Só digo que vai ter gente desistindo de ver A Pedra do Reino.
Quem assistiu à adaptação de Uma mulher vestida de sol, também de Ariano e direção de Luiz Fernando Carvalho, há uns anos, pode entender melhor o espírito da nova produção. Esse diretor não é uma peça simples na Globo. A ele são designados projetos especiais, inclusive fora da linguagem comum a que o público está acostumado. Veremos as reações.
Nunca li nenhum desses livros de Ariano Suassuna, muito menos a maioria do público dessas obras na TV. Mas pelas próprias citações e referências de Ariano nas suas inúmeras falas, a linguagem desses escritos é nem um pouquinho simples. Há duas semanas uma caravana de atores do Centro de Pesquisa Teatral do SESC São Paulo, coordenado por Antunes Filho, encenou a mesma A Pedra do Reino, aqui em Recife, no Teatro de Santa Isabel, com bilheterias esgotadas e a temporada precisando ser esticada para dar conta de tanta gente.
Parênteses para falar do público. Em um teatro que eu coordenasse nem uma pessoa entraria depois do espetáculo começar. Nunca. O público mal educado, mas que tem dinheiro para pagar um ingresso relativamente caro, chegava até com uns 15 minutos de peça rolando. Mundiça. Nem duvido que esses, sim, tenham até lido o livro.
Voltando à encenação, o personagem principal é Quaderna e sobre ele recai a maior responsabilidade pela vitalidade do texto. Certas horas fica difícil acompanhar falas grandes dele relatando passagens históricas da Paraíba. Foi daí que comecei a atentar para o que viria com o mesmo texto na TV, linguagem teatralizada e outro tempo de narrativa. Para quem espera algo semelhante às falas ligeiras e situações pitorescas de João Grilo e Chicó, vai ser um choque.
Da mesma forma que a música armorial é muito mais clássica do que popular, que não sejam esperados capítulos para espectadores desatentos e é justamente aí que mora todo o mérito dessa produção.
:: ::
Ariano foi entrevistado durante um programa inteiro de Jô Soares.
“Fico preocupado com tantas homenagens aos 80 anos. Devem deixar um pouco de festa para quando eu chegar aos 160.”
É Verônica nada?!
Agora chegou a hora da exibição. Vão ser cinco capítulos que estão mais do que divulgados, e o público deve estar esperando algo bem parecido com O Auto da Compadecida, também escrito por Ariano, adaptado para a televisão e virou filme depois. Daqueles filmes que a crítica adora dizer que é a linguagem de TV mostrada no cinema, que assim é muito fácil, que Guel Arraes isso, João Falcão aquilo... Só digo que vai ter gente desistindo de ver A Pedra do Reino.
Quem assistiu à adaptação de Uma mulher vestida de sol, também de Ariano e direção de Luiz Fernando Carvalho, há uns anos, pode entender melhor o espírito da nova produção. Esse diretor não é uma peça simples na Globo. A ele são designados projetos especiais, inclusive fora da linguagem comum a que o público está acostumado. Veremos as reações.
Nunca li nenhum desses livros de Ariano Suassuna, muito menos a maioria do público dessas obras na TV. Mas pelas próprias citações e referências de Ariano nas suas inúmeras falas, a linguagem desses escritos é nem um pouquinho simples. Há duas semanas uma caravana de atores do Centro de Pesquisa Teatral do SESC São Paulo, coordenado por Antunes Filho, encenou a mesma A Pedra do Reino, aqui em Recife, no Teatro de Santa Isabel, com bilheterias esgotadas e a temporada precisando ser esticada para dar conta de tanta gente.
Parênteses para falar do público. Em um teatro que eu coordenasse nem uma pessoa entraria depois do espetáculo começar. Nunca. O público mal educado, mas que tem dinheiro para pagar um ingresso relativamente caro, chegava até com uns 15 minutos de peça rolando. Mundiça. Nem duvido que esses, sim, tenham até lido o livro.
Voltando à encenação, o personagem principal é Quaderna e sobre ele recai a maior responsabilidade pela vitalidade do texto. Certas horas fica difícil acompanhar falas grandes dele relatando passagens históricas da Paraíba. Foi daí que comecei a atentar para o que viria com o mesmo texto na TV, linguagem teatralizada e outro tempo de narrativa. Para quem espera algo semelhante às falas ligeiras e situações pitorescas de João Grilo e Chicó, vai ser um choque.
Da mesma forma que a música armorial é muito mais clássica do que popular, que não sejam esperados capítulos para espectadores desatentos e é justamente aí que mora todo o mérito dessa produção.
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Ariano foi entrevistado durante um programa inteiro de Jô Soares.
“Fico preocupado com tantas homenagens aos 80 anos. Devem deixar um pouco de festa para quando eu chegar aos 160.”
É Verônica nada?!


2 Comments:
Menina, eu não vi ontem... afinal era dia dos namorados e tinha coisa melhor a fazer. Agora Fabi viu e não gostou :-(
E quanto a fala de Ariano... Esta fala bem que podia ser dessa sagitariana aqui que vos fala .. hahahahah
Minha filha olheeeee, digo logo viu? A Pedra do Reino era de crack :P
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