Os Jecaps e o Pan
Marta conhece o estádio do Arruda, em Recife, e o Barradão, em Salvador. Ela tem aprendido a gostar de futebol. Recentemente foi ver um jogo em Belo Horizonte e, no espaço de uma tarde, adorou e disse que é outra realidade. “Só tem cadeiras”, comentou admirada.
Alguns jornalistas do Recife trabalhando na cobertura do Pan do Rio de Janeiro disseram que voltando a Pernambuco seria difícil se acostumar com os sucatões do futebol daqui. As imagens na TV mostram que o estádio novíssimo João Havelange, o Engenhão é mesmo um espetáculo.
O que diriam Marta e o pessoal do jornal sobre o Estádio José Inácio de Souza, em Monteiro? Lá é conhecido simplesmente como “o campo”. Tanto que a rua de acesso é chamada popularmente de Rua do Campo, ignorando-se o nome de algum cidadão que empresta a graça dele ao lugar.
Quando um gramado apresenta falhas, mas está razoável, o local onde fica o goleiro tem uma parte gasta. No caso do campo, vez por outra a gente vê um resquício de grama, nada que ultrapasse uns cinco metros quadrados, o resto é poeira. Casseta e Planeta hoje tira onda com o Tabajara Futebol Clube, sem saber que em Monteiro um time homônimo teve seus dias de glória ali mesmo no campo. Isso em um tempo que os globais nem deviam pensar em programa de televisão ainda.
Era o campo a grande sede dos Jecaps – Jogos Escolares do Cariri Paraibano. A festa maior do esporte daquela região. Claro que participei da cerimônia de abertura dos jogos, fazendo aquelas coreografias junto com um monte de meninas a dançar e evoluir usando um maiô e uma sainha minúscula. Devia ter pouco mais de dez anos, menos de 15.
Depois da cerimônia, seguia-se uma semana de esportes e rivalidades que sempre acabavam com alguma menina ferida pelas unhas das adversárias. Nas quadras ou fora delas. A grande máxima do esporte “o importante é competir” era totalmente inapropriada para falar naqueles dias. Do pescoço para baixo era canela em todas as modalidades.
Agora no Pan é muito engraçado ver esses jogos contra Cuba, quando a galera deixa de lado a simpatia pelo país para assumir uma rivalidade ferrenha. Nada de politicamente correto nas competições entre brasileiros e cubanos. Grande responsável por isso é o time feminino de voleibol, que desta vez ganhou de novo das brasileiras. A graça é ver, antes do pódio, a jogadora cubana fazer um gesto que o mundo inteiro sabe não se tratar de um afago: duas mãos espalmadas ao lado do rosto emoldurando um língua para fora. Tem coisa mais Jecaps?
Os caras devem ter planejado alto uma inscrição no Pan para viver na clandestinidade aqui. A verdade é que atletas cubanos simplesmente sumiram. Um repórter pergunta a uma esportista onde está o pessoal da delegação dela que desapareceu. Ela responde: pergunta a tua mãe. Bicha delicada.
Os inhos – Ricardinho e Bernardinho – com uma rusga mais do que explorada pela mídia, brigam no melhor estilo eu mando e você cai fora. Aí já é o vôlei masculino do Brasil mostrando o que ferve por baixo de tanta fama.
Também é um exercício interessante ver a mocinha do judô com a pior cara que ela pode fazer debaixo daqueles cabelos progressivos, urrando “Palhaçada, isso é uma palhaçada!” para os juízes das provas.
Gente de outras nacionalidades também perde a cabeça no esporte. Zidani? Mas só um continente cheio de sangue bom e quente ajuda a mesclar a idéia linda de tolerância e que todos somos irmãos neste mundo sem porteira.
Alguns jornalistas do Recife trabalhando na cobertura do Pan do Rio de Janeiro disseram que voltando a Pernambuco seria difícil se acostumar com os sucatões do futebol daqui. As imagens na TV mostram que o estádio novíssimo João Havelange, o Engenhão é mesmo um espetáculo.
O que diriam Marta e o pessoal do jornal sobre o Estádio José Inácio de Souza, em Monteiro? Lá é conhecido simplesmente como “o campo”. Tanto que a rua de acesso é chamada popularmente de Rua do Campo, ignorando-se o nome de algum cidadão que empresta a graça dele ao lugar.
Quando um gramado apresenta falhas, mas está razoável, o local onde fica o goleiro tem uma parte gasta. No caso do campo, vez por outra a gente vê um resquício de grama, nada que ultrapasse uns cinco metros quadrados, o resto é poeira. Casseta e Planeta hoje tira onda com o Tabajara Futebol Clube, sem saber que em Monteiro um time homônimo teve seus dias de glória ali mesmo no campo. Isso em um tempo que os globais nem deviam pensar em programa de televisão ainda.
Era o campo a grande sede dos Jecaps – Jogos Escolares do Cariri Paraibano. A festa maior do esporte daquela região. Claro que participei da cerimônia de abertura dos jogos, fazendo aquelas coreografias junto com um monte de meninas a dançar e evoluir usando um maiô e uma sainha minúscula. Devia ter pouco mais de dez anos, menos de 15.
Depois da cerimônia, seguia-se uma semana de esportes e rivalidades que sempre acabavam com alguma menina ferida pelas unhas das adversárias. Nas quadras ou fora delas. A grande máxima do esporte “o importante é competir” era totalmente inapropriada para falar naqueles dias. Do pescoço para baixo era canela em todas as modalidades.
Agora no Pan é muito engraçado ver esses jogos contra Cuba, quando a galera deixa de lado a simpatia pelo país para assumir uma rivalidade ferrenha. Nada de politicamente correto nas competições entre brasileiros e cubanos. Grande responsável por isso é o time feminino de voleibol, que desta vez ganhou de novo das brasileiras. A graça é ver, antes do pódio, a jogadora cubana fazer um gesto que o mundo inteiro sabe não se tratar de um afago: duas mãos espalmadas ao lado do rosto emoldurando um língua para fora. Tem coisa mais Jecaps?
Os caras devem ter planejado alto uma inscrição no Pan para viver na clandestinidade aqui. A verdade é que atletas cubanos simplesmente sumiram. Um repórter pergunta a uma esportista onde está o pessoal da delegação dela que desapareceu. Ela responde: pergunta a tua mãe. Bicha delicada.
Os inhos – Ricardinho e Bernardinho – com uma rusga mais do que explorada pela mídia, brigam no melhor estilo eu mando e você cai fora. Aí já é o vôlei masculino do Brasil mostrando o que ferve por baixo de tanta fama.
Também é um exercício interessante ver a mocinha do judô com a pior cara que ela pode fazer debaixo daqueles cabelos progressivos, urrando “Palhaçada, isso é uma palhaçada!” para os juízes das provas.
Gente de outras nacionalidades também perde a cabeça no esporte. Zidani? Mas só um continente cheio de sangue bom e quente ajuda a mesclar a idéia linda de tolerância e que todos somos irmãos neste mundo sem porteira.


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