Homenagem, influência & persuasão

As ruas dos focos de folia no Recife estão começando a receber decoração para o carnaval deste ano. São figuras coloridas inspiradas na obra de Abelardo da Hora, um dos homenageados da festa pela prefeitura. Os outros são Hugo Martins e Ademir Araújo. O primeiro sempre trabalhou incansavelmente na disseminação do frevo, para que o ritmo predomine também fora da época do carnaval. Pode-se dizer o mesmo do segundo, mas uma questão importante é relacionada ao maestro Araújo: ele é crítico ferrenho do frevo jazzístico que vem sendo altamente elogiado por aqui e tem se expandido para outros lugares do Brasil. Faz sentido. Para quem nunca viu uma orquestra de periferia tocar, por exemplo, a referência de frevo passa a ser completamente essa. Olha aí a questão.
Mas voltando a Abelardo, ou vovô, como a gente sempre chamou. Uma parte da minha turma de faculdade conheceu Abelardo da Hora bem de pertinho, dentro da casa e do ateliê, quando íamos fazer trabalhos em grupo, das mais diversas disciplinas, com Rodrigo, neto dele. Ele sempre tinha algo para vir comentar junto da gente. Adorava fazer uma graça e sair ainda ao som das gargalhadas.
A gente sabe de todas as curiosidades que contam sobre vovô nas matérias por aí. Uma delas se refere a Francisco Brennand, de quando Abelardo foi morar no Engenho da Várzea e o desvirtuou da carreira de bom moço pelos rumos do direito, para torná-lo artista plástico.
Por minha conta, ouso acrescentar mais: aposto que foi vovô quem influenciou a característica erótica tão marcante na obra de Brennand.

Mas voltando a Abelardo, ou vovô, como a gente sempre chamou. Uma parte da minha turma de faculdade conheceu Abelardo da Hora bem de pertinho, dentro da casa e do ateliê, quando íamos fazer trabalhos em grupo, das mais diversas disciplinas, com Rodrigo, neto dele. Ele sempre tinha algo para vir comentar junto da gente. Adorava fazer uma graça e sair ainda ao som das gargalhadas.

A gente sabe de todas as curiosidades que contam sobre vovô nas matérias por aí. Uma delas se refere a Francisco Brennand, de quando Abelardo foi morar no Engenho da Várzea e o desvirtuou da carreira de bom moço pelos rumos do direito, para torná-lo artista plástico.
Por minha conta, ouso acrescentar mais: aposto que foi vovô quem influenciou a característica erótica tão marcante na obra de Brennand.

Enquanto construo elementos para provar a minha tese, deixo umas linhas de Xico Sá.
“Uma das coisas mais lindas do mundo é um velho enxerido. O enxerimento como uma safadeza que nos mantém crente na existência. (...)
O enxerimento lírico de Abelardo da Hora, que grande homem, quase Deus a tirar do barro outras costelas, e que amor à sua própria dama, que magrinho com amor de sobra, que olho aceso feito brasa, que chama, como na sua canção predileta de Capiba, com letra de outro velho enxerido, o farto Ascenso Ferreira.
Andava com certo fastio do mundo quando vi da Hora na tevê, num programa da Globonews, merecida homenagem a um dos nossos maiores escultores, da Hora, 82 anos, mas com uma fome de viver da gota, da Hora com um olhar apaixonado para as mulheres, todas que apareçam à sua frente, da Hora cantando lindamente a repórter, da Hora com olhos marejados por uma existência de solidariedade aos lascados e devoção às fêmeas do universo.
E a vontade de fazer novas coisas desse homem? Meu Deus, dê-lhe uns dois séculos e meio de vida, ele merece, e quando chegar aos 250, meu Deus, dê mais um chorinho, repare como ele é comovente, repare como ele amassa as costelas do barro, repare como ele parece Deus fazendo mulheres.”
“Uma das coisas mais lindas do mundo é um velho enxerido. O enxerimento como uma safadeza que nos mantém crente na existência. (...)
O enxerimento lírico de Abelardo da Hora, que grande homem, quase Deus a tirar do barro outras costelas, e que amor à sua própria dama, que magrinho com amor de sobra, que olho aceso feito brasa, que chama, como na sua canção predileta de Capiba, com letra de outro velho enxerido, o farto Ascenso Ferreira.
Andava com certo fastio do mundo quando vi da Hora na tevê, num programa da Globonews, merecida homenagem a um dos nossos maiores escultores, da Hora, 82 anos, mas com uma fome de viver da gota, da Hora com um olhar apaixonado para as mulheres, todas que apareçam à sua frente, da Hora cantando lindamente a repórter, da Hora com olhos marejados por uma existência de solidariedade aos lascados e devoção às fêmeas do universo.
E a vontade de fazer novas coisas desse homem? Meu Deus, dê-lhe uns dois séculos e meio de vida, ele merece, e quando chegar aos 250, meu Deus, dê mais um chorinho, repare como ele é comovente, repare como ele amassa as costelas do barro, repare como ele parece Deus fazendo mulheres.”
Muito sobre Abelardo aqui: http://www.iah.org.br/


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