domingo, fevereiro 17, 2008

Tríduo Momesco


Ela ainda era muidinha. No dia que nasceu eu passava férias na casa dela, em Recife. Troquei fraldas, ajudei a mãe. Tempos depois, já morava com a família quando recebi a missão de levar e trazer da escola. Quase diariamente acontecia uma discussão para atravessar a rua. O gênio dela não gostava de me dar a mão nessa hora crítica. Nem sei onde ou com quem aprendeu a dizer “me laarrga”, mas repetia sempre. No que recebia a resposta “não largo porque se acontecer alguma coisa, o que vou dizer para a sua mãe?”. Só nesses termos, ela aceitava a prisão temporária. Hoje é praticamente adulta. Sabe exatamente o que quer e diz claramente. Difícil. Até para os pais que não têm o argumento de perguntar como vão prestar conta dela, como eu fazia.

Está lindona na rua. Exposta a tudo que -eu espero- sabe se defender.

A outra nasceu alguns anos depois da primeira, quando eu também morava na casa dela. (Já morei em várias casas alheias. Deve ser por isso que gosto pouco de visitar e ser visitada.) Acompanhamos o desenvolvimento desde o quinto mês de gravidez, quando nos foi dada a notícia. Participar da angústia da mãe foi complicado, entendê-la, nem tanto. Sofreu. Um sofrimento que deveria ter sido amenizado pelo nascimento da cria, mas ainda durou um tempo. A primeira coisa que a bebê fez ao chegar da maternidade em casa foi abrir um bocão em um bocejo lindo.

É grandona e tem uma boca idem hoje. Comprou cerveja e tomou. Os 15 anos de idade não estão à mostra e o dono do estabelecimento nem percebeu. Na festa, beijou todos os meninos que pôde. Igualzinha a mãe, que já foi boa nisso.

Para variar, fui moradora da casa da terceira também, inclusive quando nasceu. Já chegou ao local do evento com o namoradinho. E pode? Nem deveria estar ali, que a idade ainda não permite. Mas maquiagem está no mundo para isso. E ela sabe muito bem usar as tintas para carregar nessas horas.

Deixei as três à vontade e encontrei vários conhecidos. Ainda no começo, mandam mensagem para o meu celular: “vamos ficar juntas?”. E é? Então tá. Eu estava, por mim mesma, desobrigada de vigiar qualquer uma. Tivemos boa diversão, sem estresse. Sabem tudo que precisam, ouvem horas e horas de recomendações.

Para mim, foi muito mais fácil do que aguentar cada uma das mães no pós-parto. Paridas e insuportáveis, com a carga de hormônios que o momento traz.
Vive la fête!