Zé de Cazuza é modelo de primeira
O paraibano Zé de Cazuza foi destaque na edição do Globo Repórter de 22 de maio, que teve a memória como tema principal. As imagens foram gravadas na fazenda São Francisco, maior parte embaixo do mesmo pé de umbu que abrigou uma visita da melhor qualidade que fiz com alguns amigos ao lugar.
Já falei da memória prodigiosa de Zé de Cazuza aqui.
Veja neste link o vídeo completo exibido no programa.
E, abaixo, o desenrolar da matéria de Beatriz Castro. Lá no final tem dicas de como ter boa memória.
Zé de Cazuza tem uma cabeça sem igual, cantada em versos e rimas de um poeta conhecido como homem-gravador. Ele vive na cidade da Prata, região do cariri paraibano.
As belezas do sertão e as histórias de sua gente há muitos e muitos anos inspiram os artistas populares. Versos criados de improviso e declamados uma única vez pelos grandes poetas do passado só não se perderam com o tempo graças a uma memória privilegiada.
Nas cantorias sertão afora, dois poetas se enfrentam e inventam versos. E ali ao lado, atento, seu Zé de Cazuza, de 79 anos, guarda tudo na memória. Um gravador ligado há mais de 70 anos.
Para saber se o que dizem é verdade, o Globo Repórter resolveu tirar a prova. A equipe acompanhou em um livro os versos que ele lembra de cor.
É com gratidão que os cantadores do interior do Nordeste tratam seu Zé de Cazuza. Não fosse a memória dele, preciosidades teriam se perdido na época em que não havia gravador.
Seu Zé de Cazuza foi desafiado a lembrar versos de Sebastião Dias, repentista famoso, que participa da roda. E ele declamou: "O cemitério é cadeia onde se tranca os mortais. Orgulho, ódio, vingança ficam da porta para trás. Porque da porta para a frente, todos nós somos iguais".
"Eu acho que cérebros como o de Zé de Cazuza são poucos. A ciência definiria melhor. Porque quando estudamos o processo evolutivo do homem, existem esses privilegiados de inteligência", diz o repentista Sebastião Dias.
Privilégio, sim, mas conquistado com muito esforço. É o que a ciência hoje demonstra. O Globo Repórter foi buscar explicações em um dos maiores centros de estudos do cérebro do país.
"A memória tem um lado genético. Mas, principalmente, construímos. Acho que seu Zé de Cazuza começou a construir desde a infância. Por isso ele tem uma memória magnífica para versos", explica a neurocientista Lúcia Braga, da Rede Sarah de hospitais.
O encanto pelas palavras veio mesmo desde muito cedo. Seu Zé de Cazuza recita um poema que conhece há 73 anos:
"O pranto jorrou-me em ondas
Resistir quem há de?
Uma ilusão gemia em cada canto
Chorava em cada canto uma saudade".
Ele conta que aprendeu os versos com o pai aos 6 anos de idade. E assim, de geração em geração, o amor à poesia vai sendo passado. O neto Artur Moura, de 14 anos, tem orgulho das proezas do avô.
"É fascinante! Eu acho que ele conseguiria três, quatro dias sem parar, recitando. O apelido de gravador humano é mais do que justo", diz Artur.
Verso vai, verso vem, notamos que seu Zé de Cazuza nunca diz uma estrofe sem antes se lembrar da situação em que a cantoria surgiu.
"Ajuda muito, porque ancoramos a memória em um contexto. E a rima com associações ajuda muito. São estratégias que ele usa e que nós deveríamos aprender a usar também", diz Lúcia Braga.
Mas o homem-gravador tem seu jeito: só grava o que acha bom. "Perguntaram a Val Patriota que diferença tem de um gravador para Zé de Cazuza. Ele disse: 'Tem grande. Porque gravador grava tudo no mundo e ele só grava o que presta'", conta o repentista.
E é prestando muita atenção que não esquecemos. É a primeira de oito recomendações que a neurocientista Lúcia Braga faz para o bem da memória. A pedido do Globo Repórter, ela criou a lista dos oito passos. Confira:
1 – Prestar atenção e querer lembrar.
2 – Aprender coisas novas. Tocar um instrumento musical, estudar artes plásticas, dançar, cozinhar, por exemplo.
3 – Fazer atividade física regularmente.
4 – Dormir bem.
5 – Não consumir drogas.
6 – Manter uma alimentação saudável, rica em frutas e legumes.
7 – Evitar os fatores de risco, como o fumo, o álcool e a obesidade.
8 – Manter uma vida social ativa.
"Temos que estar sempre com amigos, discutindo coisas. A discussão, a conversa, o viver a realidade, exercitam muito o cérebro e a memória", diz Lúcia Braga.
A pesquisadora diz, ainda, que, com o tempo, perdemos memória naturalmente, mas ganhamos sabedoria.
Já falei da memória prodigiosa de Zé de Cazuza aqui.
Veja neste link o vídeo completo exibido no programa.
E, abaixo, o desenrolar da matéria de Beatriz Castro. Lá no final tem dicas de como ter boa memória.
Zé de Cazuza tem uma cabeça sem igual, cantada em versos e rimas de um poeta conhecido como homem-gravador. Ele vive na cidade da Prata, região do cariri paraibano.
As belezas do sertão e as histórias de sua gente há muitos e muitos anos inspiram os artistas populares. Versos criados de improviso e declamados uma única vez pelos grandes poetas do passado só não se perderam com o tempo graças a uma memória privilegiada.
Nas cantorias sertão afora, dois poetas se enfrentam e inventam versos. E ali ao lado, atento, seu Zé de Cazuza, de 79 anos, guarda tudo na memória. Um gravador ligado há mais de 70 anos.
Para saber se o que dizem é verdade, o Globo Repórter resolveu tirar a prova. A equipe acompanhou em um livro os versos que ele lembra de cor.
É com gratidão que os cantadores do interior do Nordeste tratam seu Zé de Cazuza. Não fosse a memória dele, preciosidades teriam se perdido na época em que não havia gravador.
Seu Zé de Cazuza foi desafiado a lembrar versos de Sebastião Dias, repentista famoso, que participa da roda. E ele declamou: "O cemitério é cadeia onde se tranca os mortais. Orgulho, ódio, vingança ficam da porta para trás. Porque da porta para a frente, todos nós somos iguais".
"Eu acho que cérebros como o de Zé de Cazuza são poucos. A ciência definiria melhor. Porque quando estudamos o processo evolutivo do homem, existem esses privilegiados de inteligência", diz o repentista Sebastião Dias.
Privilégio, sim, mas conquistado com muito esforço. É o que a ciência hoje demonstra. O Globo Repórter foi buscar explicações em um dos maiores centros de estudos do cérebro do país.
"A memória tem um lado genético. Mas, principalmente, construímos. Acho que seu Zé de Cazuza começou a construir desde a infância. Por isso ele tem uma memória magnífica para versos", explica a neurocientista Lúcia Braga, da Rede Sarah de hospitais.
O encanto pelas palavras veio mesmo desde muito cedo. Seu Zé de Cazuza recita um poema que conhece há 73 anos:
"O pranto jorrou-me em ondas
Resistir quem há de?
Uma ilusão gemia em cada canto
Chorava em cada canto uma saudade".
Ele conta que aprendeu os versos com o pai aos 6 anos de idade. E assim, de geração em geração, o amor à poesia vai sendo passado. O neto Artur Moura, de 14 anos, tem orgulho das proezas do avô.
"É fascinante! Eu acho que ele conseguiria três, quatro dias sem parar, recitando. O apelido de gravador humano é mais do que justo", diz Artur.
Verso vai, verso vem, notamos que seu Zé de Cazuza nunca diz uma estrofe sem antes se lembrar da situação em que a cantoria surgiu.
"Ajuda muito, porque ancoramos a memória em um contexto. E a rima com associações ajuda muito. São estratégias que ele usa e que nós deveríamos aprender a usar também", diz Lúcia Braga.
Mas o homem-gravador tem seu jeito: só grava o que acha bom. "Perguntaram a Val Patriota que diferença tem de um gravador para Zé de Cazuza. Ele disse: 'Tem grande. Porque gravador grava tudo no mundo e ele só grava o que presta'", conta o repentista.
E é prestando muita atenção que não esquecemos. É a primeira de oito recomendações que a neurocientista Lúcia Braga faz para o bem da memória. A pedido do Globo Repórter, ela criou a lista dos oito passos. Confira:
1 – Prestar atenção e querer lembrar.
2 – Aprender coisas novas. Tocar um instrumento musical, estudar artes plásticas, dançar, cozinhar, por exemplo.
3 – Fazer atividade física regularmente.
4 – Dormir bem.
5 – Não consumir drogas.
6 – Manter uma alimentação saudável, rica em frutas e legumes.
7 – Evitar os fatores de risco, como o fumo, o álcool e a obesidade.
8 – Manter uma vida social ativa.
"Temos que estar sempre com amigos, discutindo coisas. A discussão, a conversa, o viver a realidade, exercitam muito o cérebro e a memória", diz Lúcia Braga.
A pesquisadora diz, ainda, que, com o tempo, perdemos memória naturalmente, mas ganhamos sabedoria.


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