ops

“nasci sem um pingo de vergonha. seja ela minha, alheia, emprestada, favorecida, enriquecida com sais ou encontrada na vala comum...”
A frase da minha amiga se revelou para mim no dia em que senti vergonha. Os termos dela me fizeram refletir sobre coisas que de fato me embaraçam.
O meu sistema digestório -sim, o nome é esse agora- anda fragilizado e tomando iniciativas sem a minha interferência. Faz coisas que poderiam envergonhar pessoas várias e cada dia venho lidando melhor com a situação. Lá no começo de todas as complicações, qualquer líquido ingerido imediatamente após refeições fazia uma barulheira incrível na hora de chegar ao estômago.
Certa vez em um trabalho, cenário todo pronto, elenco se arrumando, técnicos idem, quase silêncio total e o barulho aconteceu. O iluminador que estava perto de mim deu a maior gargalhada e disse “pelo menos ainda não tava gravando”. Eu, querendo sumir, concordei.
Às vezes se sucedem uns tais de botar tudo para fora no meio do processo, associado ou não a uma urgência no descarte. Besteira, normal, simples e muito natural. Vergonha zero.
Até que um dia a questão complica. Justamente em uma sessão de acupuntura onde o médico é um lord, fino, gentil, educadíssimo.
Um dos princípios do tratamento é que o paciente fique imóvel enquanto as agulhas estão aplicadas. Só ali, relaxando. Se mexer, dói. Mas como a pessoa relaxa com uma atividade louca acontecendo por dentro? Mais: sensações várias, os famosos arrepios e certezas “é agora”, e nada do médico vir encerrar a sessão.
Chega o momento de finalizar o trabalho com a moça da cabine ao lado. Foi a minha deixa para eu mesma *retirar as agulhas*. A próxima seria eu. Euzinha sairia depois e-não-aguentei. Quando saí da minha sala, ele disse “oxe, Verônica levantou. Tá doida?”. Só respondi: preciso ir ao banheiro. As agulhas estão aí em cima.
Eis um momento de vergonha que eu não experimentava há milênios. Saí, pedi desculpa e vou voltar na semana seguinte, fazer o que.
A origem - Tudo isso porque, no dia anterior, uma carne não desceu legal. Na mastigação algo já estava errado impedindo a passagem do primeiro pedaço pela garganta. Cortei os pedaços seguintes bem pequenos e empurrei. Essa forçação não ia terminar bem.
Devo admitir que meus super poderes de mutante digestiva -Paula diz “tu és uma draga”- estão comprometidos.


2 Comments:
Minha Nossa da Perna Grossa... estou chorando de tanto que estou rindo aqui, Verinha.
Putz que vergonhada gota . Eu acho que tinha feito no local mesmo só para não ter que falar nada .. kakakaka.
Saudades mill de tu, Flor de Maracujá
Verilda!
Seu blog é simplesmente o máximo!
fave na hora!
Bjs fofa!
Marcela (cesar) :)
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