quinta-feira, outubro 19, 2006

Show para privilegiados

Naquele dia finalmente deu certo o combinado de ir ver Zeto se apresentando em um distinto estabelecimento de Olinda. Restava-nos descobrir onde ficava o tal lugar. Andamos perguntando por algumas casas noturnas ali pelo Varadouro e descobrimos o nosso destino.

Instalados não em uma mesa no pequeno salão do local, mas no meio-fio na calçada da frente, esperamos o astro para uma conversa rápida antes do espetáculo. E ele chegou. Preparado como os famosos. Ele também altamente reverenciado pela requintada platéia que nós quatro formávamos, independentemente dos outros freqüentadores do recinto.

Aposto que nenhum dos espectadores ali havia passado aquela tarde de sábado ouvindo a vida do cantor nos vinis do início da “carreira”, do registro da vida com a mulher, musa e mãe do filho dele, cuja voz mais combinava com os enredos do violão. Do público, somente nós tínhamos tamanha proximidade com a grande atração da noite. Era sobre o que falávamos no momento que ele chegou.

Todo faceiro, nos saudou apresentando uma morena bonita, na flor da idade, que trazia consigo. Vestido como os apocalípticos dos anos setenta com enorme casaco branco sobre roupas claras e uma espécie de chapéu, também branco, de crochê, suficiente para cobrir o cocuruto e deixar à vontade os cabelos rareados, mas longos, que pendiam sobre os ombros. Parecia um profeta com aquela barba longa.

Durante a apresentação, cantou uma música oferecida especialmente a nossa amiga que, com toda razão, não cabia em si com tamanha homenagem. Difícil é ter acontecido isso na nossa frente e a gente não abusá-la por muitos dias seguidos. Mas um abuso muito bem-vindo, claro.

E Zeto cantou...

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo,
Em folha, em graça,
Em vida, em força, em luz...

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

que fofo!

19 outubro, 2006 08:52  

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