segunda-feira, outubro 06, 2008

Tô pagaaando!!!


Quando a gurizada da minha rua via a hora de se recolher da brincadeira para casa, à noite, dizia “Vamos brincar de brasa? Cada um na sua casa”. Pois o jogo de brasa foi reeditado na véspera da eleição em Monteiro: a partir das 22 horas do sábado, todas as pessoas estavam proibidas de sair de casa. Assunto que repercutiu nos veículos de comunicação municipais, estaduais e nacionais.

Pois quem mais saiu foi o povo.

Claro que eu não ia perder este sucesso. Depois das 21 horas, fui visitar uma tia despretensiosamente. Faltavam 10 minutos para o cumprimento da ordem judicial, quando saí calmamente da casa dela para a minha olhando o movimento. A rua estava em polvorosa. Um carro de polícia com sirene escandalosa alertava a população e, para completar, um agente dizia em um megafone: “Já está vigorando o toque de recolher. Dirijam-se às suas residências. Quem permanecer na rua será detido por crime de desobediência”.

Silenciaram-se os carros com porta-malas equipados “abre, abre, abre-abre-abre”, fecharam-se os espetinhos, recolheram-se os pastéis. Por volta das 22h30 o negócio começou a se organizar e o silêncio imperou.

A decisão foi tomada por uma juíza responsável pela área eleitoral e valia para as cidades de Monteiro, Camalaú, Zabelê, São Sebastião do Umbuzeiro e São João do Tigre. Não sei nos outros lugares, mas em Monteiro a compra de votos foi ostensiva nesse período. As pessoas dispostas a vender o voto colocaram redes na frente da casa para sinalizar aos compradores. Negociação sofisticada.

Na periferia, alguns eleitores levavam colchões para a calçada e lá dormiam aguardando a visita do candidato pagador. Obviamente, quem comercializa os votos não é diretamente o candidato majoritário. Isso é ação dos assessores e do candidato a vereador que dispõe de recurso e acerta o voto para si e para o prefeito.

Dim-dom – Você recebeu visita de algum candidato no seu próprio lar? Pois eu, sim! O sol ardia forte na tarde de sábado quando a campainha tocou. Nunca atendo, porque sei que nunca é para mim. Mas como a minha mãe estava ao telefone, fui ver a porta.

Uma mulher jovem, trajando blusa amarelo-incandescente, se apresentou como candidata a prefeita e se desculpou porque, mesmo vendo o adesivo da opositora colado no nosso portão, tocou a campainha. Ela ainda apontou para a minha blusa vermelho-intenso e disse que estava distribuindo o programa de governo dela. Recebi e agradeci. Ela falou mais um pouco, agradeceu minha receptividade -eu sou uma lady (oi?)- e se foi para a casa da vizinha. Não sem antes ouvir o meu ‘boa sorte’.

Voltei para a minha rede que não estava armada a serviço da venda de voto, muito menos à mostra para quem passasse na rua.

3 Comments:

Blogger Fabiana said...

Surreal! Presenciar momentos como estes são uma pérola...

Mas eu confesso que a parte que mais me animou no meio de tudo isso foi a da barraca de espetinho. Era bom?

07 outubro, 2008 10:10  
Blogger BETA FERNANDES said...

Que beleza de texto. Quem mais AMOU fui eu. Não sei porque vc não escreve mais. SINCERAMENTE ...

08 outubro, 2008 14:08  
Anonymous Anônimo said...

babado forte fortíssimo! e ninguém me conta... também... cadê meu telefone?

11 outubro, 2008 23:35  

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