Flashes da vida real
Ou o calor, dores, anseios, esperanças, desejos, faltas, despedidas e indiferenças do mundo não me tocam ou então me atingem mui profundamente.
*Jovem com rosto ainda cheio de espinhas vende canetas no ônibus urbano dando testemunho de estar livre de drogas e álcool graças ao trabalho em uma fazenda para tratamento de dependentes.
**Meninas e meninos rumam para a UFPE buscando um título, um conhecimento, uma ocupação.
***Ana se compromete demais com coisas demais e, no meu entender, Alice se vira sozinha mais do que deveria.
****15h30 o ônibus da Prefeitura Municipal de Sertânia chega ao Imip já com vários passageiros pacientes vindos de outros hospitais recifenses. O anjo-motorista-primo Fabiano é avisado que a consulta de alguém que está lá no ambulatório será às 17h30. Enquanto isso, um vendedor de sombrinhas caminha no corredor do veículo oferecendo cada uma por cinco reais. Meu sangue ferve porque àquela altura, naquela situação, se alguém tivesse os cinco reais ali deveria usá-los para almoçar. Digo ao vendedor “lá não chove”. Quem ouviu, olhou concordando. Aos que não ouviram, o próprio vendedor repete a minha fala e argumenta que sombrinhas também protegem do sol. Vendo pelo lado dele, também ele poderia estar sem almoço às 15h30, talvez.
*****Placa nas portas fechadas de uma loja no centro da cidade informa: Breve Hering Store – Aceitamos currículos de gerentes e vendedores. Uma mocinha lê o aviso e confere algo em uma pasta que traz na mão. Dentre todos os acontecimentos do dia -ou a soma de todos eles- esse me tira lágrimas. Tantos significados, tantas leituras.
******Já em casa, do outro lado da linha telefônica, uma mulher pede doação para o Hospital Infantil Maria Lucinda.
A cabeça pulsa e dói reivindicando a minha atitude radical: tomar analgésico. Viro esta noite com uma rara, mas que acontece, insônia.
O telefone – Por uma série de razões mantenho telefone convencional na minha casa. Ele toca eventualmente e eu, antes de atender, quase sempre sei quem é. Mas passando um período de tempo em casa percebi que ele toca muito. Como assim? “É do sindicato?”. Depois de responder inúmeras vezes que não, perguntei a uma senhora para qual sindicato ela tinha ligado. “Sindicato dos Vigilantes”. Obrigada.
A minha irmã, titular da linha, recebe dezenas de chamadas de bancos e cartões de crédito oferecendo linhas de financiamento para tudo que se imaginar.
Depois de alguns dias atendendo esse pessoal, enchi a paciência e já dizia ‘alô’ mordendo quem estivesse do outro lado. Foi quando pensei que em uma dessas vezes a pessoa ia me dizer “Se a senhora tivesse sido educada, iria receber 100 mil reais agora. Mas com essa voz ríspida, deixou de ganhar”.
*Jovem com rosto ainda cheio de espinhas vende canetas no ônibus urbano dando testemunho de estar livre de drogas e álcool graças ao trabalho em uma fazenda para tratamento de dependentes.
**Meninas e meninos rumam para a UFPE buscando um título, um conhecimento, uma ocupação.
***Ana se compromete demais com coisas demais e, no meu entender, Alice se vira sozinha mais do que deveria.
****15h30 o ônibus da Prefeitura Municipal de Sertânia chega ao Imip já com vários passageiros pacientes vindos de outros hospitais recifenses. O anjo-motorista-primo Fabiano é avisado que a consulta de alguém que está lá no ambulatório será às 17h30. Enquanto isso, um vendedor de sombrinhas caminha no corredor do veículo oferecendo cada uma por cinco reais. Meu sangue ferve porque àquela altura, naquela situação, se alguém tivesse os cinco reais ali deveria usá-los para almoçar. Digo ao vendedor “lá não chove”. Quem ouviu, olhou concordando. Aos que não ouviram, o próprio vendedor repete a minha fala e argumenta que sombrinhas também protegem do sol. Vendo pelo lado dele, também ele poderia estar sem almoço às 15h30, talvez.
*****Placa nas portas fechadas de uma loja no centro da cidade informa: Breve Hering Store – Aceitamos currículos de gerentes e vendedores. Uma mocinha lê o aviso e confere algo em uma pasta que traz na mão. Dentre todos os acontecimentos do dia -ou a soma de todos eles- esse me tira lágrimas. Tantos significados, tantas leituras.
******Já em casa, do outro lado da linha telefônica, uma mulher pede doação para o Hospital Infantil Maria Lucinda.
A cabeça pulsa e dói reivindicando a minha atitude radical: tomar analgésico. Viro esta noite com uma rara, mas que acontece, insônia.
O telefone – Por uma série de razões mantenho telefone convencional na minha casa. Ele toca eventualmente e eu, antes de atender, quase sempre sei quem é. Mas passando um período de tempo em casa percebi que ele toca muito. Como assim? “É do sindicato?”. Depois de responder inúmeras vezes que não, perguntei a uma senhora para qual sindicato ela tinha ligado. “Sindicato dos Vigilantes”. Obrigada.
A minha irmã, titular da linha, recebe dezenas de chamadas de bancos e cartões de crédito oferecendo linhas de financiamento para tudo que se imaginar.
Depois de alguns dias atendendo esse pessoal, enchi a paciência e já dizia ‘alô’ mordendo quem estivesse do outro lado. Foi quando pensei que em uma dessas vezes a pessoa ia me dizer “Se a senhora tivesse sido educada, iria receber 100 mil reais agora. Mas com essa voz ríspida, deixou de ganhar”.


2 Comments:
Verônica: simpatia garantida ou seu dinheiro de volta ahhahahahaha
kakakakkaka.
Minha filha, olhe...lendo seu texto tenho plena convicção -
Deus fez, o vento espalhou e o "dchaboo" juntou os tres tomatinhos :-)
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