quarta-feira, outubro 07, 2009

trabalha, trabalhador

Em tempos de sétima Bienal do Livro de Pernambuco, pensei em colocar aqui umas reflexões de um dos livros que venho lendo esses dias. Sim, porque além dele, está em andamento também a leitura da Trilogia Suja de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez, que fez palestra também na Bienal. Enfim, uma teia de acontecimentos e pensamentos vários.

“(...) um homem que ganha 1 marco por acre ceifado, ceifa 2 e ½ acres por dia e ganha dois marcos e meio por dia; quando o valor da tarefa foi aumentado para 1,25 marcos por acre ceifado, não ceifou 3 acres, como poderia ser feito facilmente, ganhando 3,75 marcos, mas ceifou apenas 2 acres de modo a continuar ganhando os 2,5 marcos a que estava acostumado. A oportunidade de ganhar mais foi menos atraente do que trabalhar menos. Ele não se perguntava: quanto poderia ganhar em um dia se eu fizesse o maior trabalho possível? Em vez disso perguntava-se: quanto devo trabalhar para ganhar o salário de 2,5 marcos que eu ganhava antes e que bastava para as minhas necessidades tradicionais?

(...) o homem não deseja ‘naturalmente’ ganhar mais e mais dinheiro, mas viver simplesmente como foi acostumado a viver e ganhar o necessário para isso. Onde quer que o capitalismo moderno tenha começado, sua ação de aumentar a produtividade do trabalho humano aumentando sua intensidade, tem encontrado a teimosíssima resistência desse traço orientador do trabalho pré-capitalista. E ainda hoje a encontra, por mais atrasadas que sejam as forças de trabalho (do ponto de vista capitalista) com que tenha de lidar.”

De Max Weber, em A ética protestante e o espírito do capitalismo, páginas 53 e 54 da edição que estou lendo. O original foi publicado entre 1904 e 1905.

2 Comments:

Blogger BETA FERNANDES said...

Isso é uma cacetada, Amiga :-)
É tudo verdade TOTALMENTE

07 outubro, 2009 13:38  
Blogger Fabiana said...

Quem mais prefere ganhar o mesmo pra trabalhar menos.

07 outubro, 2009 16:40  

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