segunda-feira, dezembro 21, 2009

Parque dos horrores

Eu acho graça em quase tudo nessa vida. Mesmo os maiores programas de índio têm alguma validade para mim. Mas definitivamente parque de diversões foge de qualquer classificação na minha cabeça. Não é nem ruim. É algo pior. Tenebroso, quem sabe.

Na infância tinha um parque perenemente armado em um terreno na frente da minha casa. O dono normalmente levava os brinquedos para adornar festas de cidades vizinhas e, quando não tinha festa na minha própria cidade, o lugar para guardar o parque era ali na nossa rua. Na saída da escola, tinha brinquedo funcionando; nos fins de semana, era tempo integral. Um movimento escasso proporcionava mais minutos nos brinquedos para a gurizada, eu inclusive, que vivia por lá. Cada rodada demoraaava. E a gente adorava.

Quando era tempo de festa, esse parque era armado na principal avenida da cidade e vinham parques de outros lugares para completar as atrações. A gente, claro, explorava todas novidades. Um tio trabalhava na companhia energética e ganhava altos ingressos para distribuir entre os filhos e sobrinhos. Eba.

Foi numa dessas que conheci a monga. E corri horrores de dentro do cubículo de latão coalhado de pessoas esperando ver a mulher virar gorila. O narrador foi dizendo que ela estava pálida, cada vez mais pálida... Na primeira batida forte que ela deu naquelas paredes de zinco, eu corri. Nem sei como passei pelo meio das pessoas e fui parar entre a multidão que se divertia alheia ao que passava lá dentro. Os carros de som tocavam Yes e Nikita a toda altura, e eu fiquei ali fora esperando os primos. Atordoada.

Passei a escolher algumas geringonças mais engraçadas para brincar e fui deixando essa vida de parque.

Um dia, já adolescente, inventamos de andar de roda gigante. Renata, Magna, uma irmãzinha de Magna e eu. Para que, meu Deus? Pergunto até hoje. Aquilo não é diversão, minha nossa. Quando a bicha deu duas voltas e a gente estava prestes e subir de novo, ouvimos um estalo forte. Uma parte da estrutura tinha se soltado, era justamente algo da sustentação da nossa cadeira e a gente ficou inclinada para baixo se apoiando na lateral e segurando as duas meninas do meio que desceriam dali direto para o chão. Foi uma gritaria só. E se não fosse, o rapaz não tinha parado aquilo e a gente tinha despencado da parte mais alta daquele monte de ferro. Dá medo só de lembrar.

Brinquei em um Barco Viking armado no Shopping Recife com o povo da minha sala na época da faculdade e cheguei a estar um dia no Playcenter Recife antes dele se transformar em Mirabilândia. Experimentei pouquíssimas coisas que me inspiraram uma segurança mínima, mas tchau. Meu objetivo ali mesmo era assistir ao show de Edson Cordeiro. Algo muito mais tranquilo e com satisfação garantida. Dancei horrores.