Tudo que começa termina
Acabou a banda Cordel do Fogo Encantado. Acabou o encanto do fogo do cordel. Acabou o fogo do cordel que encantava.
Valeu cada manhã seguinte de rouquidão após um show. Valeu o afastamento, por ciúme das novas plateias, após a mudança do grupo para São Paulo.
Quando chegou ao Recife, vindo de Arcoverde, o Cordel já fazia parte das programações de eventos promovidos pelo Movimento Cultural de Monteiro. Circulou tanto pelos interiores do nordeste sendo mais teatro do que banda... até que partiu.
Meu povo não vá simbora pela Itapemirim.
A UFPE ofereceu os primeiros palcos para os acoverdenses. Faltei à primeira apresentação na concha acústica, mas estive lá todas as vezes seguintes. No laguinho, vivemos domingos incendiados.
Fiz trabalho da disciplina de Fotojornalismo acompanhando a apresentação sentada no chão do palco. No final, além das fotos para a professora, me sobrava uma rara sensação de completude. Saí de lá querendo perguntar para cada uma das pessoas: você viu o que eu vi?
Dias depois, eles anunciaram a saída de um dos músicos. O que seria uma das mudanças de rumo no resultado final, no produto que a banda oferecia. Contestei isso pessoalmente com o líder e vocalista Lirinha. Veja só, entendendo o significado: ele entrou no mesmo ônibus em que eu estava. Toquei no assunto e ele super defendeu que Alberoni tinha objetivos diferentes do grupo naquele momento.
Não bastava só estar nas apresentações, tinha que ter uma aproximação maior, tinha que externar as opiniões e fazer-se ouvir por eles. Claudiana teve um namorinho com um dos meninos, enquanto outra só ficava feliz quando era percebida no gargarejo e ganhava um sorriso do paquera no palco. Éramos pouquíssimos espectadores nas primeiras apresentações na rua da Moeda. Márcia sempre estava no lugar certo quando a música trazia o verso, o gesto e a deixa da esmola para colocar moedas no pandeiro. Tudo bem repetido, bem esperado, bem possível. Devia faltar retorno financeiro, obviamente.
Daí vem a ideia de ir para São Paulo.
Quando foram de vez, apareceu uma mesa e um armário de cozinha na casa que a minha irmã morava com o marido e um amigo arcoverdense. “O que são esses móveis aqui?”, perguntei. Ela respondeu que Lirinha e a esposa tinham deixado lá porque não tinham como transportar para São Paulo. Coisas que vão ficando pelo caminho.
Cada vinda por aqui era um acontecimento. Até um dia desses Manoel lembrava da minha fala dizendo que estava indo comprar uma “sainha” para ir ao show do Cordel. “Para que tanta dedicação??”, ele tentava entender. Vieram as apresentações monumentais em teatros e a gente sempre esteve lá. Enquanto isso, nas apresentações de rua o gargarejo ficava cada vez mais impossível. Vieram os CDs que Marta nunca gostou, dizia que eram muito frios comparados aos shows. Também ficou desapontada com o DVD feito pela MTV com público paulista. Márcia e eu compartilhávamos uma sensação de fim. Sempre. Pelo menos não foi tão trágico quanto imaginei.
No carnaval de 2009, o Rec Beat trouxe a comemoração de 10 anos de apresentações da banda naquele palco. Sim, estive na maior parte delas. Ao final, sentamos no Bar Obrahma para descansar e uma celebridade alternativa falou comigo, segurou minha mão e me deu um beijo no rosto.
- Ganhei o carnaval na quarta-feira de cinzas.
- Linda. Quem manda ser linda?
Cumprimentou meus amigos e saiu. Ainda bem que tinha testemunhas e pude confirmar depois que tinha sido verdade mesmo.
Todas essas foram situações proporcionadas pelo entorno produtivo que a banda favorecia. Da minha parte torço para que uma vez finalizado, o grupo guarde uma memória boa e tome posse do que o trabalho em conjunto venha render a cada um daqui para a frente. Partam para os projetos individuais sem ter mais lampejos de volta. Acabou, terminou. Pronto.
Pensando agora em chamar uma galera para fazer um lasanhão e tomar coca-cola falando dessas histórias. Vai ser lindo.
Valeu cada manhã seguinte de rouquidão após um show. Valeu o afastamento, por ciúme das novas plateias, após a mudança do grupo para São Paulo.
Quando chegou ao Recife, vindo de Arcoverde, o Cordel já fazia parte das programações de eventos promovidos pelo Movimento Cultural de Monteiro. Circulou tanto pelos interiores do nordeste sendo mais teatro do que banda... até que partiu.
Meu povo não vá simbora pela Itapemirim.
A UFPE ofereceu os primeiros palcos para os acoverdenses. Faltei à primeira apresentação na concha acústica, mas estive lá todas as vezes seguintes. No laguinho, vivemos domingos incendiados.
Fiz trabalho da disciplina de Fotojornalismo acompanhando a apresentação sentada no chão do palco. No final, além das fotos para a professora, me sobrava uma rara sensação de completude. Saí de lá querendo perguntar para cada uma das pessoas: você viu o que eu vi?
Dias depois, eles anunciaram a saída de um dos músicos. O que seria uma das mudanças de rumo no resultado final, no produto que a banda oferecia. Contestei isso pessoalmente com o líder e vocalista Lirinha. Veja só, entendendo o significado: ele entrou no mesmo ônibus em que eu estava. Toquei no assunto e ele super defendeu que Alberoni tinha objetivos diferentes do grupo naquele momento.
Não bastava só estar nas apresentações, tinha que ter uma aproximação maior, tinha que externar as opiniões e fazer-se ouvir por eles. Claudiana teve um namorinho com um dos meninos, enquanto outra só ficava feliz quando era percebida no gargarejo e ganhava um sorriso do paquera no palco. Éramos pouquíssimos espectadores nas primeiras apresentações na rua da Moeda. Márcia sempre estava no lugar certo quando a música trazia o verso, o gesto e a deixa da esmola para colocar moedas no pandeiro. Tudo bem repetido, bem esperado, bem possível. Devia faltar retorno financeiro, obviamente.
Daí vem a ideia de ir para São Paulo.
Quando foram de vez, apareceu uma mesa e um armário de cozinha na casa que a minha irmã morava com o marido e um amigo arcoverdense. “O que são esses móveis aqui?”, perguntei. Ela respondeu que Lirinha e a esposa tinham deixado lá porque não tinham como transportar para São Paulo. Coisas que vão ficando pelo caminho.
Cada vinda por aqui era um acontecimento. Até um dia desses Manoel lembrava da minha fala dizendo que estava indo comprar uma “sainha” para ir ao show do Cordel. “Para que tanta dedicação??”, ele tentava entender. Vieram as apresentações monumentais em teatros e a gente sempre esteve lá. Enquanto isso, nas apresentações de rua o gargarejo ficava cada vez mais impossível. Vieram os CDs que Marta nunca gostou, dizia que eram muito frios comparados aos shows. Também ficou desapontada com o DVD feito pela MTV com público paulista. Márcia e eu compartilhávamos uma sensação de fim. Sempre. Pelo menos não foi tão trágico quanto imaginei.
No carnaval de 2009, o Rec Beat trouxe a comemoração de 10 anos de apresentações da banda naquele palco. Sim, estive na maior parte delas. Ao final, sentamos no Bar Obrahma para descansar e uma celebridade alternativa falou comigo, segurou minha mão e me deu um beijo no rosto.
- Ganhei o carnaval na quarta-feira de cinzas.
- Linda. Quem manda ser linda?
Cumprimentou meus amigos e saiu. Ainda bem que tinha testemunhas e pude confirmar depois que tinha sido verdade mesmo.
Todas essas foram situações proporcionadas pelo entorno produtivo que a banda favorecia. Da minha parte torço para que uma vez finalizado, o grupo guarde uma memória boa e tome posse do que o trabalho em conjunto venha render a cada um daqui para a frente. Partam para os projetos individuais sem ter mais lampejos de volta. Acabou, terminou. Pronto.
Pensando agora em chamar uma galera para fazer um lasanhão e tomar coca-cola falando dessas histórias. Vai ser lindo.


2 Comments:
Juro que meu coração ficou pequeno... Eu adoro cordel, mas sem Lirinha... realmente, acabou.
Bjs!
Hem-heim... Sensação de ter feito parte...
Se quiser que entre panqueca no cardápio, estamos aqui pra isso!
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